Pois é, galera, enrolamos, enrolamos (ou, melhor dizendo, enrolei, enrolei), mas cá estamos!
Hora de deixar de virar a cara pra bagunça e pôr ordem na casa. Vamos tirar o pó daqui pra essa toca voltar a ser um habitat sadio, onde esse felino que vos fala (ou escreve) e seu malíssimo amigo canídeo possam viver e curtir um som em paz!
Paz, aliás, que é a palavra de ordem do post de hoje!
Vamos falar de uma banda que foi genial, entre milhares de outros motivos, por ser pacifista (ao menos de início) e não entrar em brigas (sem contar as internas, é óbvio!), um ícone da cultura de sua época.
Estamos falando nada mais, nada menos do que de Sly & the Family Stone, uma das bandas crucias, canônicas, fundantes e fundamentais do Funk!
Como já disse, essa banda não é só importante e genial por questões musicais, mas também por questões culturais e históricas. Por quê? Bem, vamos do começo! Anos 60. Estados Unidos. Um apartheid implícito de um lado. Um liberalismo hipócrita do outro.
E num é que me aparece um neguinho mirrado e marrento no meio dessa confusão, imbuído de ideias luther-kinguianas e realiza em parte o sonho daquele pastor? Sim!
Sly & the Family Stone foi uma das primeiras, senão a primeira banda multiétnica dos Estados Unidos! E multiétnica à vera! Tendo desde de negros (óbvio! é black music, cacete!), passando por whiteys de ascendência inglesa e até ítalo-americanos no seu line-up! Todos juntos e em paz e harmonia (até que a heroína os separasse, ao menos). E, além disso, mesmo defendendo um ponto de vista na luta de afirmação étnica, mateve-se firme por muito tempo contra a tentação de se engajar nos movimentos negros norte-americanos, fortemente influenciados por Malcolm X (cara que representa pra caramba! ele é foda!), mas que, e é necessário que se diga, era basicamente um racismo invertido, uma mudança social baseada em rancor e vingança.
Mas não, no auge da psicodelia, onde tudo era multicolorido, resumir o mundo a uma oposição entre preto e branco era pouco para esta família! Os ideais de igualdade e harmonia falavam mais alto do que a afirmação do negro contra o branco! Por isso, mesmo quando tomou partido, engajou-se ao seu modo, com um dos mais fantásticos tapas na cara na sociedade da história da música, não perdendo a sua identidade frente às pressões sofridas pelo grupo advindas de movimentos como os panteras negras (sem referências aos presentes! hahahahahaha) e outros grupos do movimento black power: o Family Stone concedeu, mas não cedeu, pintando ainda mais o seu quadro, com preto, branco, vermelho e que mais cor pudesse querer participar! (mas, infelizmente... ou felizmente... não sei... isso já é assunto para outro post).
E é importante também se dizer que para mais além disso ia a parcela de revolução cultural em que a banda se engajava: ela cruzava também fronteiras mais tênues, percebidas por outras frentes da revolução cultural da época, mas ainda nem tão bem, digamos, trabalhadas. uma pequena revolução sexual.
Convenhamos que ambas estavam em pauta nos anos 60 e 70, mas assumidas ambas numa mesma, digamos, pauta, não era exatamente comum. Eram duas lutas separadas, duas frentes numa mesma guerra, mas com soldados diferentes, em geral. Mas o Family Stone foi diferente. No line-up da banda, como era de praxe na época, tinham homens e mulheres. Até aí, normal, mas, diferentemente do costumeiro, homens e mulheres com pesos iguais (tá bom, a Cynthia Robinson, com suas bochechas de trompetista devia pesar um pouco mais): todos tocavam e praticamente todos cantavam, quando o costume era homens tocam e mulheres fazem backing vocal. Mulher só tocava em carreira solo ou se fosse a chefa da banda, ou seja, era necessário o naipe de uma Big Mama Thornton, Nina Simone ou de outras grandes damas do soul. Mas ver uma Rose Stone ou uma Cynthia Robinson dividindo uma banda em pé de igualdade (mesmo nos vocais) com um ou Freddie, ou um Sly Stone ou um Larry Graham, sendo que justamente os backing vocals sobrassem para Jerry Martini e Greg Errico, convenhamos que, mesmo nos dias de hoje, é coisa pra lá de rara! É mais fácil achar uma Heineken ruim do que isso acontecer!
Mas agora falando do que realmente importa num blog de música (que eu acho que é a música, se eu não me engano), isso não basta para que um banda entre para a história da música.
O cara pode fazer a revolução cultural que for que, se ele não for um bom músico, a sua revolução só vai ser uma pequena pequena nota de rodapé na história do gênero ou do movimento em que o cara participou. E, quanto a isto, sim!, podemos afirmar que esta banda não entrou na história por acaso! os caras mandavam bem! Funk de primeira qualidade.
Como dá pra ouvir no álbum (que tá linkado aí embaixo, galera), o som é uma orgia para os ouvidos!
Começa com a música que dá título ao álbum, uma baladinha presença com uma letra linda, que fala de esperanças, defendendo a persistência, uma mensagem importante para aquela época! E é incrível como a letra ganha ainda mais força com o apoio de Little Sister (o conjunto que fazia backing vocal para a banda, formado por Vet Stone, Mary McCreary e Elva Mouton) no refrão, com um imperativo, uma ordem inescapável de permanecer diante de nossas próprias cruzes!
Após a primeira parte dessa orgia toda, segue-se a divertidíssima Don't Call Me Nigger, Whitey, com uma letra e uma música simples, que dizem muito com pouco. Com um título que parece que contraria toda a minha introdução sobre como ele não eram malcolmistas, esta música de apenas seis versos, descontrói essa impressão já no segundo, em que ele lança uma réplica a essa frase cantando "don´t call me whitey, nigger!" e nessa discussão conduzida por um único enunciador, vemos de novo aparecer a igualdade dos argumentos e o igual absurdo da afirmação de uma única etnia.
Após essa, vem o auge da parada! numa música que, com um ritmo bem marcado, em ascensão (tanto na letra, quanto na música), com uma alternância entre grave e agudo, culminando numa explosão de múltiplas vozes no refrão, e ainda por cima intitulada I Want to Take You Higher e em que ele fala "baby, you light my fire"... por favor, não venham me dizer que é só a minha mente pervertida que acha que é uma ótima fuck song, uma música pra dançar deitado!
E, só pra concluir, pois eu não quero falar sobre todo o álbum, pra, quem sabe, deixar algumas surpresas para vocês, caros leitores (ou ouvintes), no início do lado B desse álbum, encontramos uma das maiores pérolas da carreira da banda e um verdadeiro manifesto deles, em que resumem sua filosofia e apresentam com primor a sua musicalidade, sendo que a própria música assume tal condição para a banda, já que, logo no segundo verso Sly nos avisa ,dizendo: "my own beliefs are in my song", depois de, no primeiro verso, ter avisado que às vezes ele está errado. ou seja, uma verdade só deles e que não precisamos aceitar como nossa. A música é Everyday People, mas vou parando por aqui, enquanto vou botando o bolachão na pick-up, porque outros posts virão sobre essa banda, então não preciso falar tudo agora... principalmente sobre essa música! hahahaha
E um abraço pra quem fica
Salve, galera! curte aí nosso som e a nosso promessa de posts mais constantes!
Hora de deixar de virar a cara pra bagunça e pôr ordem na casa. Vamos tirar o pó daqui pra essa toca voltar a ser um habitat sadio, onde esse felino que vos fala (ou escreve) e seu malíssimo amigo canídeo possam viver e curtir um som em paz!
Paz, aliás, que é a palavra de ordem do post de hoje!
Vamos falar de uma banda que foi genial, entre milhares de outros motivos, por ser pacifista (ao menos de início) e não entrar em brigas (sem contar as internas, é óbvio!), um ícone da cultura de sua época.
Estamos falando nada mais, nada menos do que de Sly & the Family Stone, uma das bandas crucias, canônicas, fundantes e fundamentais do Funk!
Como já disse, essa banda não é só importante e genial por questões musicais, mas também por questões culturais e históricas. Por quê? Bem, vamos do começo! Anos 60. Estados Unidos. Um apartheid implícito de um lado. Um liberalismo hipócrita do outro.
E num é que me aparece um neguinho mirrado e marrento no meio dessa confusão, imbuído de ideias luther-kinguianas e realiza em parte o sonho daquele pastor? Sim!
Sly & the Family Stone foi uma das primeiras, senão a primeira banda multiétnica dos Estados Unidos! E multiétnica à vera! Tendo desde de negros (óbvio! é black music, cacete!), passando por whiteys de ascendência inglesa e até ítalo-americanos no seu line-up! Todos juntos e em paz e harmonia (até que a heroína os separasse, ao menos). E, além disso, mesmo defendendo um ponto de vista na luta de afirmação étnica, mateve-se firme por muito tempo contra a tentação de se engajar nos movimentos negros norte-americanos, fortemente influenciados por Malcolm X (cara que representa pra caramba! ele é foda!), mas que, e é necessário que se diga, era basicamente um racismo invertido, uma mudança social baseada em rancor e vingança.
Mas não, no auge da psicodelia, onde tudo era multicolorido, resumir o mundo a uma oposição entre preto e branco era pouco para esta família! Os ideais de igualdade e harmonia falavam mais alto do que a afirmação do negro contra o branco! Por isso, mesmo quando tomou partido, engajou-se ao seu modo, com um dos mais fantásticos tapas na cara na sociedade da história da música, não perdendo a sua identidade frente às pressões sofridas pelo grupo advindas de movimentos como os panteras negras (sem referências aos presentes! hahahahahaha) e outros grupos do movimento black power: o Family Stone concedeu, mas não cedeu, pintando ainda mais o seu quadro, com preto, branco, vermelho e que mais cor pudesse querer participar! (mas, infelizmente... ou felizmente... não sei... isso já é assunto para outro post).
E é importante também se dizer que para mais além disso ia a parcela de revolução cultural em que a banda se engajava: ela cruzava também fronteiras mais tênues, percebidas por outras frentes da revolução cultural da época, mas ainda nem tão bem, digamos, trabalhadas. uma pequena revolução sexual.
Convenhamos que ambas estavam em pauta nos anos 60 e 70, mas assumidas ambas numa mesma, digamos, pauta, não era exatamente comum. Eram duas lutas separadas, duas frentes numa mesma guerra, mas com soldados diferentes, em geral. Mas o Family Stone foi diferente. No line-up da banda, como era de praxe na época, tinham homens e mulheres. Até aí, normal, mas, diferentemente do costumeiro, homens e mulheres com pesos iguais (tá bom, a Cynthia Robinson, com suas bochechas de trompetista devia pesar um pouco mais): todos tocavam e praticamente todos cantavam, quando o costume era homens tocam e mulheres fazem backing vocal. Mulher só tocava em carreira solo ou se fosse a chefa da banda, ou seja, era necessário o naipe de uma Big Mama Thornton, Nina Simone ou de outras grandes damas do soul. Mas ver uma Rose Stone ou uma Cynthia Robinson dividindo uma banda em pé de igualdade (mesmo nos vocais) com um ou Freddie, ou um Sly Stone ou um Larry Graham, sendo que justamente os backing vocals sobrassem para Jerry Martini e Greg Errico, convenhamos que, mesmo nos dias de hoje, é coisa pra lá de rara! É mais fácil achar uma Heineken ruim do que isso acontecer!
Mas agora falando do que realmente importa num blog de música (que eu acho que é a música, se eu não me engano), isso não basta para que um banda entre para a história da música.
O cara pode fazer a revolução cultural que for que, se ele não for um bom músico, a sua revolução só vai ser uma pequena pequena nota de rodapé na história do gênero ou do movimento em que o cara participou. E, quanto a isto, sim!, podemos afirmar que esta banda não entrou na história por acaso! os caras mandavam bem! Funk de primeira qualidade.
Como dá pra ouvir no álbum (que tá linkado aí embaixo, galera), o som é uma orgia para os ouvidos!
Começa com a música que dá título ao álbum, uma baladinha presença com uma letra linda, que fala de esperanças, defendendo a persistência, uma mensagem importante para aquela época! E é incrível como a letra ganha ainda mais força com o apoio de Little Sister (o conjunto que fazia backing vocal para a banda, formado por Vet Stone, Mary McCreary e Elva Mouton) no refrão, com um imperativo, uma ordem inescapável de permanecer diante de nossas próprias cruzes!
Após a primeira parte dessa orgia toda, segue-se a divertidíssima Don't Call Me Nigger, Whitey, com uma letra e uma música simples, que dizem muito com pouco. Com um título que parece que contraria toda a minha introdução sobre como ele não eram malcolmistas, esta música de apenas seis versos, descontrói essa impressão já no segundo, em que ele lança uma réplica a essa frase cantando "don´t call me whitey, nigger!" e nessa discussão conduzida por um único enunciador, vemos de novo aparecer a igualdade dos argumentos e o igual absurdo da afirmação de uma única etnia.
Após essa, vem o auge da parada! numa música que, com um ritmo bem marcado, em ascensão (tanto na letra, quanto na música), com uma alternância entre grave e agudo, culminando numa explosão de múltiplas vozes no refrão, e ainda por cima intitulada I Want to Take You Higher e em que ele fala "baby, you light my fire"... por favor, não venham me dizer que é só a minha mente pervertida que acha que é uma ótima fuck song, uma música pra dançar deitado!
E, só pra concluir, pois eu não quero falar sobre todo o álbum, pra, quem sabe, deixar algumas surpresas para vocês, caros leitores (ou ouvintes), no início do lado B desse álbum, encontramos uma das maiores pérolas da carreira da banda e um verdadeiro manifesto deles, em que resumem sua filosofia e apresentam com primor a sua musicalidade, sendo que a própria música assume tal condição para a banda, já que, logo no segundo verso Sly nos avisa ,dizendo: "my own beliefs are in my song", depois de, no primeiro verso, ter avisado que às vezes ele está errado. ou seja, uma verdade só deles e que não precisamos aceitar como nossa. A música é Everyday People, mas vou parando por aqui, enquanto vou botando o bolachão na pick-up, porque outros posts virão sobre essa banda, então não preciso falar tudo agora... principalmente sobre essa música! hahahaha
E um abraço pra quem fica
Salve, galera! curte aí nosso som e a nosso promessa de posts mais constantes!

