terça-feira, 3 de novembro de 2009

Boom shaka-laka-laka, Boom shaka-laka-laka!!!

Pois é, galera, enrolamos, enrolamos (ou, melhor dizendo, enrolei, enrolei), mas cá estamos!

Hora de deixar de virar a cara pra bagunça e pôr ordem na casa. Vamos tirar o pó daqui pra essa toca voltar a ser um habitat sadio, onde esse felino que vos fala (ou escreve) e seu malíssimo amigo canídeo possam viver e curtir um som em paz!

Paz, aliás, que é a palavra de ordem do post de hoje!

Vamos falar de uma banda que foi genial, entre milhares de outros motivos, por ser pacifista (ao menos de início) e não entrar em brigas (sem contar as internas, é óbvio!), um ícone da cultura de sua época.

Estamos falando nada mais, nada menos do que de Sly & the Family Stone, uma das bandas crucias, canônicas, fundantes e fundamentais do Funk!

Como já disse, essa banda não é só importante e genial por questões musicais, mas também por questões culturais e históricas. Por quê? Bem, vamos do começo! Anos 60. Estados Unidos. Um apartheid implícito de um lado. Um liberalismo hipócrita do outro.

E num é que me aparece um neguinho mirrado e marrento no meio dessa confusão, imbuído de ideias luther-kinguianas e realiza em parte o sonho daquele pastor? Sim!

Sly & the Family Stone foi uma das primeiras, senão a primeira banda multiétnica dos Estados Unidos! E multiétnica à vera! Tendo desde de negros (óbvio! é black music, cacete!), passando por whiteys de ascendência inglesa e até ítalo-americanos no seu line-up! Todos juntos e em paz e harmonia (até que a heroína os separasse, ao menos). E, além disso, mesmo defendendo um ponto de vista na luta de afirmação étnica, mateve-se firme por muito tempo contra a tentação de se engajar nos movimentos negros norte-americanos, fortemente influenciados por Malcolm X (cara que representa pra caramba! ele é foda!), mas que, e é necessário que se diga, era basicamente um racismo invertido, uma mudança social baseada em rancor e vingança.

Mas não, no auge da psicodelia, onde tudo era multicolorido, resumir o mundo a uma oposição entre preto e branco era pouco para esta família! Os ideais de igualdade e harmonia falavam mais alto do que a afirmação do negro contra o branco! Por isso, mesmo quando tomou partido, engajou-se ao seu modo, com um dos mais fantásticos tapas na cara na sociedade da história da música, não perdendo a sua identidade frente às pressões sofridas pelo grupo advindas de movimentos como os panteras negras (sem referências aos presentes! hahahahahaha) e outros grupos do movimento black power: o Family Stone concedeu, mas não cedeu, pintando ainda mais o seu quadro, com preto, branco, vermelho e que mais cor pudesse querer participar! (mas, infelizmente... ou felizmente... não sei... isso já é assunto para outro post).

E é importante também se dizer que para mais além disso ia a parcela de revolução cultural em que a banda se engajava: ela cruzava também fronteiras mais tênues, percebidas por outras frentes da revolução cultural da época, mas ainda nem tão bem, digamos, trabalhadas. uma pequena revolução sexual.

Convenhamos que ambas estavam em pauta nos anos 60 e 70, mas assumidas ambas numa mesma, digamos, pauta, não era exatamente comum. Eram duas lutas separadas, duas frentes numa mesma guerra, mas com soldados diferentes, em geral. Mas o Family Stone foi diferente. No line-up da banda, como era de praxe na época, tinham homens e mulheres. Até aí, normal, mas, diferentemente do costumeiro, homens e mulheres com pesos iguais (tá bom, a Cynthia Robinson, com suas bochechas de trompetista devia pesar um pouco mais): todos tocavam e praticamente todos cantavam, quando o costume era homens tocam e mulheres fazem backing vocal. Mulher só tocava em carreira solo ou se fosse a chefa da banda, ou seja, era necessário o naipe de uma Big Mama Thornton, Nina Simone ou de outras grandes damas do soul. Mas ver uma Rose Stone ou uma Cynthia Robinson dividindo uma banda em pé de igualdade (mesmo nos vocais) com um ou Freddie, ou um Sly Stone ou um Larry Graham, sendo que justamente os backing vocals sobrassem para Jerry Martini e Greg Errico, convenhamos que, mesmo nos dias de hoje, é coisa pra lá de rara! É mais fácil achar uma Heineken ruim do que isso acontecer!

Mas agora falando do que realmente importa num blog de música (que eu acho que é a música, se eu não me engano), isso não basta para que um banda entre para a história da música.

O cara pode fazer a revolução cultural que for que, se ele não for um bom músico, a sua revolução só vai ser uma pequena pequena nota de rodapé na história do gênero ou do movimento em que o cara participou. E, quanto a isto, sim!, podemos afirmar que esta banda não entrou na história por acaso! os caras mandavam bem! Funk de primeira qualidade.

Como dá pra ouvir no álbum (que tá linkado aí embaixo, galera), o som é uma orgia para os ouvidos!

Começa com a música que dá título ao álbum, uma baladinha presença com uma letra linda, que fala de esperanças, defendendo a persistência, uma mensagem importante para aquela época! E é incrível como a letra ganha ainda mais força com o apoio de Little Sister (o conjunto que fazia backing vocal para a banda, formado por Vet Stone, Mary McCreary e Elva Mouton) no refrão, com um imperativo, uma ordem inescapável de permanecer diante de nossas próprias cruzes!

Após a primeira parte dessa orgia toda, segue-se a divertidíssima Don't Call Me Nigger, Whitey, com uma letra e uma música simples, que dizem muito com pouco. Com um título que parece que contraria toda a minha introdução sobre como ele não eram malcolmistas, esta música de apenas seis versos, descontrói essa impressão já no segundo, em que ele lança uma réplica a essa frase cantando "don´t call me whitey, nigger!" e nessa discussão conduzida por um único enunciador, vemos de novo aparecer a igualdade dos argumentos e o igual absurdo da afirmação de uma única etnia.

Após essa, vem o auge da parada! numa música que, com um ritmo bem marcado, em ascensão (tanto na letra, quanto na música), com uma alternância entre grave e agudo, culminando numa explosão de múltiplas vozes no refrão, e ainda por cima intitulada I Want to Take You Higher e em que ele fala "baby, you light my fire"... por favor, não venham me dizer que é só a minha mente pervertida que acha que é uma ótima fuck song, uma música pra dançar deitado!

E, só pra concluir, pois eu não quero falar sobre todo o álbum, pra, quem sabe, deixar algumas surpresas para vocês, caros leitores (ou ouvintes), no início do lado B desse álbum, encontramos uma das maiores pérolas da carreira da banda e um verdadeiro manifesto deles, em que resumem sua filosofia e apresentam com primor a sua musicalidade, sendo que a própria música assume tal condição para a banda, já que, logo no segundo verso Sly nos avisa ,dizendo: "my own beliefs are in my song", depois de, no primeiro verso, ter avisado que às vezes ele está errado. ou seja, uma verdade só deles e que não precisamos aceitar como nossa. A música é Everyday People, mas vou parando por aqui, enquanto vou botando o bolachão na pick-up, porque outros posts virão sobre essa banda, então não preciso falar tudo agora... principalmente sobre essa música! hahahaha

E um abraço pra quem fica

Salve, galera! curte aí nosso som e a nosso promessa de posts mais constantes!




(by Pantera)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Festa!

Para aqueles que estão em São Paulo, há ótimos motivos para comemorar. Não, eu não estou falando da chuva que voltou a cair depois de a humidade do ar bater em 10% na terra da garoa. Trata-se da edição deste ano da Bourbon Street Fest.

A festa, que já se tornou tradicional, começou em 2003, quando a casa paulistana completou 10 anos de existência, traz alguns nomes da cena atual de New Orleans, com apresentações ao ar livre (e de graça) e na própria casa (não tão "de graça" assim). Os shows começam dia 15/08 (sábado), no Parque do Ibirapuera e terminam dia 23/08, na rua dos Chanés, em frente ao bar (clube, vai). Durante a semana as apresentações são no Bourbon Street mesmo (sim, é aquele lugar que o Jô Soares fala bastante).

Hã... hoje, é dia 18!

Ok, é imperdoável não termos falado nada até agora. Me culpa, mea culpa! Mea maxima culpa! Tudo bem, vocês só perderam a apresentação gratuita no Ibirapuera (não estou melhorando muito). Mas todos irão tocar essa semana no Bourbon... menos a Dixie Square Jazz Band, que é ótima (estraguei tudo de vez).

Vale dizer uma coisa: o Bourbon Street não é conhecido por ser dos lugares mais baratos de São Paulo. Portanto, as apresentações na rua são uma ótima pedida. No próximo, domingo, serão Sunpie & The Sunspot, Big Sam's Funky Nation e Kurt Brunus Project, fechando com uma jam session. Confesso que não conheço muito sobre eles (mesmo álbuns para comprar ou músicas para baixar são difíceis de encontrar), mas o que escutei agradou muito esses ouvidos.

Outro show que gostaria muito de ver é o da Carol Fran, que toca amanhã (quarta) com Joe Krown, seguida pelo próprio Joe com seu trio e por Sunpie, terminando, também, com uma jam. Mas... leiam o que escrevi acima.

Por fim, mas não menos importante, tudo isso será acompanhado por pratos da culinária cajun, típica de New Orleans e algumas outras regiões da Louisiana (apesar de a Toca ser uma casa de música, um dia eu coloco uma receita cajun aqui. Afinal, a gente precisa comer alguma coisa).

Fica a dica, Bourbon Street Fest: música boa com comida boa. Nos vemos no domingo.

Site da festa:
http://www.bourbonstreetfest.com.br/


Site do Bourbon Street:
http://www.bourbonstreet.com.br/

by Guará

domingo, 16 de agosto de 2009

O brinde

"Guará, seu safado! Cadê o brinde que você prometeu?"

Calma, gente. O post ficou muito maior do que devia e eu resolvi fazer outro para o brinde, só isso.

O que é o brinde? Oras, mais Nina Simone, óbvio.

Como eu disse, sou viciado em Nina Simone. Consigo passar o dia ouvindo só músicas dela tranqüilamente (uma pequena nota: sou "das antigas", a reforma ortográfica ainda não chegou aos meus textos); em qualquer compraração com outras cantoras, Nina está na frente, não importa se vierem com Billie Holiday, Ella Fitzgerald ou Sarah Vaughan...

O que vou colocar para vocês agora é o álbum que me incutiu (sempre quis usar essa palavra) esse vício: uma coletânea, de 2007 (é um vício recente), chamada Mood Indigo, o nome de uma das mais famosas músicas da cantora, distribuida pela Charly Records, um selo britânico. Aqui estão algumas das mais famosas músicas da Dr.ª (caspita, por que toda hora doutora? Ué, ela era formada pela Julliard School of Music e costumava ser chamada assim): "Mood Indigo", "My Baby Just Cares for Me", "Four Women", "Mississippi Goddam", algumas estão no álbum que coloquei da outra vez... bom, é uma coletânea.

Estão presentes algumas outras coisas interessantes, como aquela versão ao vivo de "The House of the Rising Sun" que eu disse ser a que mais gosto, "Don't Let Me Be Misunderstood" (pensaram que era do Animals ou do Santa Esmeralda, hein?), "Ain't Got No / I Got Live", do musical "Hair" e "Ne me quitte pas", gravada em francês e com uma interpretação maravilhosa.

Antes de colocar o álbum, eu queria fazer um mea culpa: não achei a capa dele. Esse eu tenho só em mp3 mesmo e sai à caça da capa. Achei até a gravadora, mas nada de capa. É que essa é daquelas coletâneas fora de catálogo.

Bom, mea culpa feito, vamos ao álbum. Espero espalhar esse vício para alguns de vocês também e conquistar mais devotos da High Priestess of Soul... opa, outra forma como ela é conhecida.

http://sharebee.com/b333a31f



Músicas:
1 - My Baby Just Cares for Me
2 - I Loves You Porgy
3 - Mood Indigo
4 - Don't Smoke on the Bed
5 - Ne me quitte pas
6 - To Love Somebody
7 - The House of the Rising Sun
8 - Don't Let Me Be Misunderstood
9 - Ain't Got No/IGot Life
10 - To Be Young, Giftedand Black
11 - Backlash Blues
12 - Do What You Gotta Do
13 - Mississippi Goddam
14 - Four Women
15 - I Want a Little Suggar in My Bowl
16 - Cotton Eyed Joe
17 - Sunday in Savannah
18 - I Sing Just to Know I'm Alive

by Guará

sábado, 15 de agosto de 2009

Nina Simone Sings the Blues

Há alguns dias coloquei aqui na Toca o álbum Nina Simone Sings the Blues da... bem, da Nina Simone, oras! De quem seria? Mas algo deu errado. De alguma forma, o Blogspot chutou o post para escanteio. Eu e o Pantera tentamos todos esses dias reaver nosso post, mas nada deu certo e cá estou eu para refazê-lo. Fica aqui um pedido de desculpa dos dois mamíferos da Toca e, como presente pelo tempo de espera, vou colocar um brinde por aqui. Então, vamos lá!

Naquele post, "Esquentando os tambores" (que não só devem estar gelados, mas os músicos já pediram aposentadoria. Que demora!), eu comentei um pouco sobre os conflitos entre negros e brancos nos EUA, na década de 60 - calma, não vou falar muito sobre as lutas por direitos civis... por enquanto, isso será tema de uma futura coluna aqui na Toca. Tudo isso para dizer que estamos voltando um pouco no tempo em nossa viagem sonora. Se até agora passaram por aqui Baby Huey e Jackson 5, ambos da década de 60 e ligados às novas correntes musicais dos negros americanos (Soul, Funk), nós vamos agora estrear o Blues no nosso humilde estabelecimento.

Como eu havia dito, o Blues, que surge entre o fim do séc. XIX e o início do XX (acho que é uma boa hora para dizer que sou historiador e adoro fazer esse tipo de coisa. Vou me conter, prometo.), sofreu os mesmo tipo de preconceito e discriminação que a população na qual teve origem, tornando-se mais conhecido nos EUA somente na mesma década de 60, ironicamente, com as bandas inglesas que dominaram as rádios americanas. Por isso eu disse que quando brancos passaram a tocar Blues, parte da comunidade negra não achou das coisas mais legais.

"Certo, Guará, tudo bem. Onde você quer chegar com isso?" Calma, calma. Já chego lá.
O escolhido, então, como eu já disse no começo do post, foi Nina Simone Sings the Blues (adivinhem de quem). Com uma longa carreira (de 54 a 2003), a Dr.ª Simone passeou pelos mais diversos estilos musicais (Jazz, Blues, Soul, R&B, clássica), apresentando temas tradicionais do Blues, canções românticas, versões de spirituals, versões de temas teatrais, canções de protesto etc. etc. e etc., sempre com uma marca inconfundível: sua interpretação, que, aliada à voz, dá um tom triste a praticamente tudo que ela toca.

Opa! Olha só! Voltamos ao tema inicial: o protesto e o conflito. Já digo uma coisa: nosso álbum é de 67. Década de 60, lembram? Voltamos à ela também.

Talvez a música que marque a entrada de Nina Simone por essa trilha seja "Mississippi Goddam" (64), proibida nos estados do sul e tida como uma resposta a um atentado a uma igreja no Alabama. Outras viriam. Do mesmo álbum, Nina Simone in Concert, é "Old Jim Crow"; há ainda "To be Young, Gifted and Black" (70), uma versão de "Strange Fruit" (65), famosa na voz de Billie Holiday, Why? (The King of love is dead) (68), gravada três dias após a morte de Martin Luther King e tantas mais, denunciando a situação dos negros que sofriam com a Jim Crow, no sul, ou com o preconceito velado, no norte.

Viram? Rodei, rodei e cheguei. Agora vocês podem perguntar: "Poxa, mas a mulher cantou tantos estilos, sendo que o Blues não foi nem no qual ganhou fama. Por que não escolher um bluesman representativo, como Muddy Waters ou Howlin' Wolf?" A resposta é muito simples: eu quis este. Certo, existem motivos decentes.

Além de eu ser assumidamente viciado em Nina Simone, dois fatores pesaram. Em primeiro lugar, lembram quando eu disse que tudo que a Dr.ª Simone tocava parecia ficar incrivelmente triste? Pois bem, uma das melhores definições de Blues que já vi é, se não me engano (a memória falha, sabe como é...), de Son House, que dizia que o Blues não é nada além de um bom homem se sentindo mal. A tristeza que ela passa na música, está aí o primeiro motivo (minha namorada chega a dizer que é preciso coragem para ouvir a Nina).

Em segundo lugar, apesar de não ser o estilo com o qual ela ficou conhecida, Nina Simone Sings the Blues traz esses elementos que falei há pouco. Está tudo lá: a tradicional "The House of the Rising Sun", a sentimental "My Man's Gone Now", a versão de um spiritual em "Real Real", a ácida letra de protesto de "Backlash Blues" e, terminando esse fantástico álbum de Blues, "Whatever I Am", uma música de Willie Dixon, autor de, digamos, uma meia dúzia de canções importantes para 5 ou 6 gatos pingados

Chega de nhenhenhém! Eu aqui enrolando e um álbum desses para ser colocado aqui...

Criem coragem e confiram o absurdo que é este álbum de Nina Simone.




Musicas:
1 - Do I Move You?
2 - Day and Night
3 - In the dark
4 - Real Real
5 - My Man's Gone Now
6 - Blacklash Blues
7 - I Want a Little Sugar in My Bowl
8 - Buck
9 - Since I Fell You
10 - The House of the Rising Sun
11 - Blues for Mama
12 - Do I Move You? [segunda versão]
13 - Whatever I Am

by Guará

terça-feira, 14 de julho de 2009

Esquentando os tambores

Como eu tinha prometido, vou dar uma folguinha pro Pantera e, nessa semana, ele pode ficar só curtindo o som.

Não, hoje eu ainda não vou colocar um novo álbum, vou começar a colocar em prática uma das coisas que pensamos para Toca. Nada melhor pra esquecer o luto que pensar em coisas novas.

Antes que alguém venha dizendo "Poxa, Guará! Isso é só um vídeo!" (hã... bem... é, vai ser um vídeo. Pronto, falei!), já digo que não é só isso. Como o título diz, estamos nos preparando para o próximo álbum. É para ter um primeiro contato e a chance de ver os artistas em ação, algo interessante se pensarmos que boa parte do pessoal que vamos colocar aqui já foi fazer jam sessions em outros cantos.

Óbvio que não vamos ficar por aí. Vamos colocar algumas colunas tratando sobre alguns temas interessantes ligados à músicas (algumas já sendo preparadas) e tentar atender algumas sugestões (Canadá, não esquecemos do Sam Coocke).

Enfim, chega de nhenhenhém e vamos ao que interessa, que é o raio do vídeo.

O que eu escolhi para hoje mostra uma apresentação da Nina Simone (dou um doce pra quem advinhar qual o artista que vou colocar no final da semana), tocando House of the Rising Sun e Go to Hell, ambas gravadas em 1967, mas em álbuns diferentes.

Acho que qualquer um que nasceu nos últimos 40 anos já ouviu a versão do Animals de 1964 - a menos que seja surdo, e mesmo assim eu tenho cá minhas dúvidas. Essa música ajudou os britânicos a entrar nos EUA, participando da invasão que tinha como linha de frente Beatles e Rolling Stones. Na época, muitos calejados músicos negros americanos que tinham profundas raízes no sul torceram o nariz. É que esta é uma das mais tradicionais músicas do repertório do Blues, estilo que por décadas havia sido olhado de atravessado por boa parte da população branca americana, e que começava a ganhar entre suas fileiras um grande número de músicos dessa origem, muitos deles participando ou sendo influenciados pela tal invasão. Muitos daqueles músicos não gostaram de ver a história do lendário prostíbulo de New Orleans sendo cantada pelo rapaz inglês.

Não vou me estender muito aqui, mesmo porque isso será tema de uma das futuras colunas, mas o fato é que a música ficou associada ao Animals apesar das inúmeras gravações anteriores.
E, só pra terminar: já ouvi muitas versão de House of the Rising Sun (Lead Belly, The Animals, Nina Simone etc, etc e etc), mas, sem dúvida, as 3 melhores são da Nina.

Agora que fui chato e escrevi muito mais do que queria e deveria, vamos ao vídeo, que é o que importa (e eu aqui achando que alguém realmente vai ler tudo isso, tendo Nina Simone pra ouvir...).




(by Guará)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fim do Luto Oficial!!!

E cá estamos para encerrar o luto oficial da Toca do Soul... com atraso, mas como começamos o luto com atraso também, no fim das contas, ficam elas por elas e tá tudo certo! hahahaha

Me desculpem a piada, mas esta Toca é pra ser um habitat alegre para soulmen de todas as idades (quem sabe um Apollo virtual!) e queremos nos lembrar de Michael, assim como todos os demais ídolos que partiram e partirão, com um sorriso no rosto pelos bons momentos, pelos orgasmos auditivos que nos proporcionaram. Queremos nos lembrar dos grandes artistas no seu auge e não na sua queda.

Por isso, para encerrar a homenagem a esse cara, vamos rolar um som, caro ouvinte e leitor, em que podemos observar o seu percurso de ascensão! A Toca se despede é com Jacksons 5, pessoal!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Toca de Luto

Pois é... estamos de luto! Um pouco atrasados, mas de luto!

O motivo? Simples: morreu nessa sexta-feira um dos maiores nomes da Black Music (há quem diga que O Maior, mas vamos deixar essa discussão para uma hora mais agradável...). Sim, estou falando daquele gringo que a mídia não para de falar e você não deve mais ter paciência para ouvir, mas, sinto muito, esse blog é um blog de Black Music e não podemos aqui deixar passar em branco esse fato.

Estamos de luto pela morte de Michael Jackson.

Antes que venham com críticas ao nosso blog, nós assumimos, sim, que ele não era mais o artista que já foi, sabemos que ele não era mais tão relevante musicalmente quanto em outros tempos, mas o fato é que ele ainda é relevante historicamente.

Michael é relevante não apenas por ter redefinido a música Pop, mas, além disso, por ter sido o exemplo mais evidente do processo de redefinição, não sendo apenas um agente nesse processo, mas também um objeto dele. Ele não apareceu com um som surpreendente e novo, não foi um messias da música Pop como o pintam, mas em sua carreira podemos observar todo o percurso de transformação da Black Music entre as décadas de 70 e 80.

Esse percurso que Michael trilhou foi desde um começo interessante com seus irmãos na famosa banda Jacksons 5, com uma pegada funk bem bacana, uma levada simples e direta, bem no estilo da gravadora Motown, levada essa, que já denunciava o proximidade da família Jackson com o Pop. Com o ingresso na carreira solo, Michael lançou um fantástico primeiro álbum (Off the Wall), em 79, com uma pegada soul, passando já em seu segundo álbum (Thriller), de 82, a mudar seu estilo para o seu peculiar estilo Pop, começando também a definir o seu visual (não falo apenas das polêmicas a cerca da cor de pele e das plásticas, mas também do figurino etc.), mudança essa que, por um lado, na minha opinião, significou um queda qualitativa nas suas músicas (ainda que com algumas coisas muitos legais, como Smooth Criminal), mas que, de fato, o transformou numa lenda.

E, para homenageá-lo, aqui vai, da Toca do Soul, para vocês, caros ouvintes e leitores, o tal Off the Wall!!! Um álbum, como já dito, com uma pegada bem Soul, na minha opinião, o auge da carreira desse artista e também um dos álbuns mais bem produzidos da história da música! Todos os sons bem gravados e bem colocados, um som limpo, em que dá pra distinguir cada um dos instrumentos, com músicas fantásticas e bem arranjadas! Tudo isso e muito mais do que um álbum precisa para virar um clássico! Discografia básica para quem quer saber o que é a Black Music de qualidade! (Destaque para a primeira faixa, Don't Stop 'Till You Get Enough, também conhecida como "abertura do Vídeo Show"! hahahahahaha)




(By Pantera)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Baby Huey Story: The living legend

Aqui vai o primeiro álbum da Toca: Baby Huey & The Babysitters.
Quando apresentávamos a Toca, o Pantera me apresentou o Baby Huey no trabalho. Viciei na hora. O cara é absurdamente bom!
Esse álbum, Baby Huey Story: The living legend, reúne as gravações de James Ramey depois que ele assumiu o nome do patinho gordo. Infelizmente o cara morreu antes do seu lançamento, em 1971.
Espero que gostem desse marco do rock/soul/funk, que foi fundamental para o desenvolvimento do hip hop, depois. Detalhe: reparem nesse cover de California Dreamin'.

http://sharebee.com/5528a232




Músicas:
1 -
Listen To Me
2 -
Mama Get Yourself Together
3 -
A Change Is Going To Come
4 -
Mighty, Mighty
5 -
Hard Times
6 -
California Dreamin'
7 -
Running
8 -
One Dragon Two Dragon