sexta-feira, 5 de agosto de 2011

É festa de novo!



Nada melhor que uma festa pra sair de um período de luto. Então, vamos lá.
Desta vez, quem está em Brasília é que terá ótimos motivos para comemorar. Já tradicional em São Paulo, a Bourbon Street Fest chega à 9º edição e ao Planalto Central, depois de já ter incluído o Rio de Janeiro em sua agenda.
A receita é a mesma que já faz sucesso desde o início do evento: boa música com artistas de New Orleans tocando blues, jazz, zydeco e quetais, e comida cajun.
Aqui as apresentações serão em dois dias. Começam hoje, com o sexteto de Delfeayo Marsalis (do clã Marsalis), seguido por Nathan and Zydeco Cha Chas e New Orleans Ladies of Soul, fechando a noite. Amanhã teremos Cynthia Girtley, John Mooney and Bluesiania e, encerrando o evento, a Dirty Dozen Brass Band.
Como sou uma pessoa com um nível de organização muito particular, só pude ir a uma das festas, a de 2009 (http://tocadosoul.blogspot.com/2009/08/festa.html), que me deixou viciado na Glen David Andrews Band e com saudades do som do Sunpie e da Big Sam’s Funky Nation.
Pra quem está em Brasília, a festa é hoje e amanhã; pra quem está na minha velha São Paulo, vocês ainda tem hoje e amanhã pra curtir no próprio Bourbon Street e, no domingo, na rua dos Chanés, de graça, em frente à casa; pra quem está no Rio... bom, foi só até o dia 03...
Nos encontramos lá...

Bourbon Street Fest Brasília
05 (20h) e 06 de agosto (18h) no Museu da República.

Site da Festa:

Site do Bourbon Street Music Club:



sexta-feira, 29 de julho de 2011

You know I'm no good


Mais uma vez temos luto na Toca: Amy Winehouse morreu.

A notícia correu o mundo no último sábado e, a não ser que você tenha estado em uma bolha nos últimos dias, já deve ter se deparado com meia dúzia de matérias especiais, programas, reprise de shows e pessoas abordando uma série de aspectos da vida dela em todas as mídias por aí (TV, internet, rádio, jornais...).

Exatamente por isso, hoje vou fazer algo um pouco diferente, não vou falar muito. Tantos já falaram da carreira e das fofocas sobre sua vida essa semana (e ainda vão falar muito), que, se eu fizesse meus costumeiros textos de sete páginas sobre isso, ficaria um pouquinho maçante. Hoje o Nelson Mota deve falar sobre ela em sua coluna e, com certeza, ele faz isso melhor que eu.

Ao invés disso, vou falar um pouco sobre minhas impressões sobre ela.

Confesso que demorei um pouco pra prestar atenção na moça. O fato de minha vizinha, com 15 anos na época, ouvir pode ter contribuído. Nada contra a idade, mas, havemos de convir, a geração emo-happyrock-crepúsculo não tem deixado uma impressão muito boa. Ok, Restart e a saga do vampiro light são bem mais recentes, mas, de qualquer forma, ver que todos que elogiavam a Amy nas conversas faziam o mesmo pela Beyoncé não ajudou nada.

Apesar de tudo, quebrei essa minha ranço, ouvi e gostei. Realmente, a judia inglesa com voz de negra do Harlem cantava muito. Além de cantar demais, ela tinha ótimas referências no Jazz e no Soul. Em alguns momentos, dava pra sentir alguma coisa de Nina Simone (http://tocadosoul.blogspot.com/2009/08/nina-simone-sings-blues.html) no jeito dela cantar.

Certo: voz fantástica, músicas ótimas, uma banda inacreditável... mas, uma boa parte das pessoas tinha os olhos voltados pra outra coisa. Nas apresentações desse ano aqui no Brasil, muitos foram esperando o momento em que ela iria tropeçar, esquecer alguma letra ou dar mostras de uma bebedeira homérica. Talvez seja o mesmo tipo de gente que pára pra ver acidente de trânsito, mas, enfim...

A neura é tão grande, que bastou ela morrer e já se levantaram os moralistas de plantão, ressaltando seus excessos, provável causa de sua morte aos 27 anos. A idade crítica para os astros junkies.

Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrisson. Todos morreram com 27 anos entre 1969 e 1971. Uma verdadeira maldição da letra J. Na mesma época, morriam, com 26 anos, Otis Reeding (1967) e Baby Huey (1970 - http://tocadosoul.blogspot.com/2009/06/baby-huey-story-living-legend.html). Também com 27 morreram Kurt Kobain (1994) e Robert Johnson (1938). Alguns deles, usuários de drogas e junkies inveterados, outros sofriam de depressão (não que os dois não possam andar juntos) e tem o Otis Reeding, que caiu de avião. O isso prova? Bom, além de que as pessoas podem morrer aos 26 ou 27, nada. Que pessoas com vida desregrada morrem cedo? Não necessariamente. B. B. King, que já deve ter experimentado de tudo um pouco está aí, com seus 85 e a Lucille a tiracolo. Pode até aumentar as chances, mas, pode ter certeza, se você tentar atravessar a rua Bela Cintra, no cruzamento com a Paulista, suas chances de morrer vão ser bem maiores. Essa coincidência de idades me fez dizer por muito tempo que os realmente bons morriam com 26 ou 27. Em maio eu completei 28...

A história da música é cheia de casos insólitos: Keith Richards cheirou até o pai e está por aí; Paul McCartney morreu e continua entre nós; e o representante brasileiro, o Serguei... bem, ele ainda é o Serguei.

Voltando à Amy. Chegaram a fazer uma matéria, onde diziam que ela não teria aproveitado seus 27 anos por causa das drogas e das bebidas. Será que a conheciam tão bem assim? Será que levar uma vida “sadia” é a única forma de aproveitá-la? Bom, se ela aproveitou ou não, só ela mesmo poderia responder. O que importa é que as atitudes dela trouxeram conseqüências diretas somente pra ela.

Talvez o problema dela não fosse sua opção de vida, mas a quantidade de lentes voltadas em sua direção à espera de um deslize, qualquer um. Isto somado à quantidade de gente que realmente se interessava pelas fofocas e não pela música dela, que, afinal, era uma cantora. Problemas da “era digital”, “era da informação” ou o nome que queiram dar? Talvez seja só o velho sadismo mesmo.

Enfim, o que eu quis dizer com tudo isso é que, independente de tudo que circulava e do que ela fazia (que, sinceramente, acho que era da conta dela), a mulher era uma cantora, e das boas. Sua banda de apoio é maravilhosa, gravou dois ótimos álbuns e deu uma bela sacudida no mercado da música, um pouco saturado de cantoras que mostram mais partes do corpo que voz, músicos que mostram mais dinheiro que qualidade musical, e por aí vai. Como disse o crítico Carlos Eduardo Miranda, em uma entrevista à rádio Estadão, a Amy trouxe a alma de volta à música pop.

Antes que eu me estenda ainda mais (e eu ainda disse que não falaria muito), cabem só dois destaques: 1) pra variar, esperamos a pessoa morrer pra escrever sobre ela. Já avisei o Pantera que, se ele quer escrever sobre a Joss Stone, é melhor ser rápido. 2) com a Amy, abrimos a cota pra brancos em nosso espaço para música negra.

Agora, chega de patifaria e vamos à música que é o que interessa.

http://www.mediafire.com/?28be47n8ycvv077


1- Rehab

2- You know I'm no good

3- Me and Mr. Jones

4- Just friends

5- Back to black

6- Love is a losing game

7- Tears dry on their own

8- Wake up alone

9- Some unholy war

10- He can only hold her

11- Addicted

12- Valerie

13- Cupid

14- Monkey man

15- To know him is to love him

16- Hey little rich girl

17- You're wondering now

18- Some unholy war

19- Love is a losing game


by Guará

quinta-feira, 17 de março de 2011

Let It shine on me, let It shine on me

Carnaval passou (assim como o Natal, a Páscoa, o Carnaval do ano passado...) e cá estamos nós de novo. E, de novo, depois de um intervalo bem maior de que o que queríamos. Demoramos tanto para reabrir, que deu até tempo de eu começar a tocar gaita (por algum motivo eu odeio esse cacófato...).

Pra quem não se lembra, aqui quem fala é o velho Guará, que toca este humilde estabelecimento com seu amigo Pantera.

Como tentativa de pedido de desculpas, hoje vou colocar um álbum especial e prometo, de novo, que vamos abrir o salão da Toca com mais freqüência. Então, vamos lá!

Quando pensamos no Blues, geralmente vem à nossa mente a imagem imponente de B. B. King e sua Lucille, a mitológica história de Robert Johnson ou os virtuosismos de Steve Ray Vaughan. Lembramos de algum clássico de Muddy Waters; vemos Eric Clapton, de olhos fechados, empunhando sua guitarra junto a um microfone; ou, simplesmente, vem de algum lugar aquela melodia tocada numa gaita cujo nome você não lembra. Daí já tiramos um probleminha: nesse balaio de lembranças, esquecemos uma das origens e tema recorrente no Blues: a religião.

Na verdade, não é só o Blues, a música americana é extremamente influenciada pela música religiosa. Todos os membros do velho Million Dollar Quartet (Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e Carl Perkins) tiveram suas carreiras marcadas por ela.

Mas o tema desse blog ainda é a música negra americana, certo? Vamos à ela (bom... da influência dessa música na geração de 1950 e no Rock a gente trata depois).

Desde Louis Armstrong tocando “When the Saints go Marchin’ in”, ainda na década de 1920, à Glen David Andrews Band (http://www.glendavidandrewsband.com/main.htm), hoje, presença certa nas noites de New Orleans, passando pelas influências ou menções presentes em Son House ou James Brown, sem esquecer, ainda, a presença de outras tradições religiosas, como o Voodoo, nas obras ou nas figuras de Muddy Waters ou Buddy Guy, a religião sempre esteve presente na criação musical, seja como objeto em torno do qual se dá essa construção, seja como elemento inspirador para as harmonias ou na elaboração das letras.

“Voodoo?!?”

Sim. Falei em “religião”, certo? Não vamos ficar limitados ao cristianismo. “Got my mojo working”, um dos maiores clássicos de Muddy Waters, é a história de um sujeito que apela para religião para conquistar uma mulher – e não consegue, é bom lembrar. O tal do mojo nada mais é que o um patuá, como os do candomblé.

Bom, isso aqui é um site sobre música, não vou ficar aqui falando sobre as diferenças e semelhanças entre o culto aos orixás no Brasil e o culto aos voduns nos EUA... o fato de eu não conseguir fazer isso direito não vem ao caso (pra não dizer que isso viraria um papo chato de historiadores e antropólogos).

Enfim, como já virou costume nos meus textos aqui, vamos voltar um pouco no tempo. E dessa vez voltaremos bastante: para o final da década de 20 e início da década de 30.

Os EUA viviam a crise gerada pelo colapso da Bolsa de Valores e, no Norte, os músicos de Jazz sentiam os efeitos com a diminuição do número de gravações, shows e no valor dos cachês. No Sul, o Blues continuava sendo tocado por músicos itinerantes, que carregavam suas gaitas, violões, banjos ou o que fosse, peregrinando entre acampamentos de madeireiras e portos, feiras e pequenos bares, prostíbulos e... igrejas.

É uma fase anterior ao surgimento dos grupos de músicos, aqui falamos de artistas solitários que cruzam as estradas em busca de um local para tocar sua música, arranjar um trocado e beber o seu Bourbon, ou seja, sobreviver. Algumas vezes andavam em pares ou pagavam alguém para fazer o acompanhamento. Eric Hobsbawm, em seu livro História Social do Jazz, fala em músicos “semi-mendicantes”. É a era de Robert Johnson, Son House, Sonny Boy Willianson (o primeiro) e tantos outros.

Cabe aqui destacar duas coisas: 1) é bom lembrar que cantoras de Blues, como Bessie Smith, já faziam sucesso nos estados do Norte nesse período, mas, assim como os demais artistas envolvidos na indústria da música profissional, foram afetadas pela crise. A carreira de Bessie, por exemplo, foi para o quiabo nessa época; 2) aqui falamos de um momento em que a música possuía algumas fronteiras muito mais definidas do que hoje – não que fronteiras e barreiras musicais não existam mais. A linha que definia o que é música religiosa e o que é música profana era muito bem delimitada, sendo inimaginável para este período algo como Ray Charles rogando seus “Hallelujahs” por aí ou cantando sobre romances e bebidas em ritmo de música de igreja. Músicos que tocavam em bares ou prostíbulos, o que era mais comum na falta de locais especializados em diversão musical no Sul, simplesmente não tocavam para as platéias religiosas, nos cultos ou em frente das igrejas. E o contrário também é verdade. Mahalia Jackson, por exemplo, um dos maiores nomes do gospel, recusava-se a tocar qualquer coisa além de seus louvores e em locais onde tocassem música profana, assim como Blind Lemon Jefferson e Charlie Patton, quando gravavam gospels, faziam com outros nomes. Eram dois mundos que não se misturavam.

Nesse período, entre estes músicos itinerantes, surgiram muitos que eram cegos: Blind Willie McTell, na Geórgia; Blind Lemon Jefferson, no Texas, assim como nossa atração de hoje: Blind Willie Johnson. Sim, quando Ray Charles começa a acariciar seu piano (eu falei piano), os músicos negros cegos já são um fenômeno antigo.

Muitos tentam explicar o surgimento desses músicos como uma necessidade de sobrevivência numa sociedade em que restava ao negro o trabalho braçal, e mesmo este também era vedado a esses homens, que então recorriam à sua arte como forma de sobreviver. Certo, apesar de extremamente romântico, pode até servir como explicação. De qualquer forma, apesar de não estarmos falando da região do Mississippi, no Texas o algodão também formava um mar branco ao redor dos povoados, estes povoados também se desenvolviam e os músicos andarilhos também saltavam de praça em praça em busca de público, ou seja, a música (sagrada ou profana) era um caminho possível.

Eis que chegamos no nosso amigo Blind Willie Johnson.

Nascido em 1897, Johnson começa a aprender violão aos 5 anos e aos 7 teria ficado cego quando sua madrasta jogou soda cáustica no seu rosto como vingança por um surra que levara do pai do garoto. Esta versão está no encarte deste álbum, The Complete Blind Willie Johnson, e foi contado por Angeline, esposa de Johnson, a Samuel Charters, autor do texto e de inúmeros livros sobre música. Aliás, muito do que eu estou contando aqui é baseado no texto dele.

Johnson perambulou pelo Texas, junto com seu pai ou sozinho, cantando músicas religiosas dentro ou fora das igrejas em troca de dinheiro até ser descoberto no final da década de 1920. Lembra o que falei sobre a separação entre estes “dois mundos da música”? Então, segundo Angeline, Blind Willie nem ao menos conhecia as letras dos Blues que tocavam por lá. E olha que há relatos de Blind Lemon Jefferson tocando à um quarteirão de distância. Beleza, pode ser exagero dela, mas só reforça esse distanciamento.

Em 5 exaustivas sessões – respectivamente, em Dallas (2), New Orleans (2) e Atlanta – foram gravadas, pela Columbia Records, 30 músicas entre 1927 e 1930, sendo que na última foram gravadas 10 músicas (!). Esse é todo o registro musical que nos ficou sobre Blind Willie Johnson. É, a Grande Depressão chegou no Sul também.

Seu repertório nas sessões era composto, obviamente, por gospels negros, mas, também, por alguns gospels brancos, como “Church, I’m fully saved to-day”, e 3 baladas, que apesar de não constarem do repertório gospel tradicional, narram acontecimentos envolvendo-os com uma grande carga religiosa: “Jesus is coming soon”, falando sobre a gripe espanhola de fins da década de 1910 (“... In the year of 19 and 18, God sent a / mighty desease. / It killed men many thousands, (on the) land and on the sea…”); “When war is on”, sobre a I Guerra Mundial (“… Well, President Wilson sitting on the throne, / Making laws for everyone. / Didn’t call the black man, / leave out the white…”); e “God moves the water”, sobre o naufrágio do Titanic (“Year of 19 hundred and 12, / April the 14th day, / Great Titanic still not berthed, / people (had to) run and pray…”).

As sessões foram gravadas como se ele estivesse tocando para seu público habitual: não há banda, somente um homem cantando e tocando violão, sendo acompanhado em algumas músicas por uma backing vocal (Willie B. Harris ou uma suposta cantora recrutada nas igrejas de New Orleans), cantando em resposta à pregação do pastor Johnson, como nos cultos. Ainda que muito do seu estilo vocal e ao violão lembre os Blues de seu tempo, em especial no Texas, Blind Willie tem características marcantes: o violão que ora lembra as músicas country texanas, ora abusa do slide em solos e no acompanhamento; a voz que ora é calma e mesmo doce cantando sobre Jesus e passagens da Bíblia, ora torna-se metálica e quase gutural.

Algumas passagens são memoráveis. “It’s nobody’s fault but mine”, regravada por Led Zeppelin e Nina Simone, e “Mother’s children have a hard time”, ambas na primeira sessão, tem ritmo e força assustadores. “If I had my way I’d tear the building down”, na segunda sessão, é linda. Vale destacar ainda “The soul of a man” e “John the Revelator”, ambas na última sessão. Esta última, regravada por Son House em uma versão que, sinceramentente, não sei dizer qual é melhor. Só uma nota: há relatos de que, ao tocar o refrão de “If I had...” (“If – my Lord, if I had my way, / Well, if I had, oh wicked ones, / If I had, oh Lord, / Tear this building down…”) nas ruas de New Orleans, um guarda teria interrompido Johnson, acusando-o de incitar a desordem (!).

Por ultimo, as minhas duas preferidas: sua versão para a clássica “Let Your light shine on me” e a belíssima “Dark was the night – cold was the ground”. A primeira começa com Blind Willie cantando os versos de forma suave e triste. Parece até o ritmo de uma procissão: arrastada, triste e bela. O ritmo vai acelerando e, de repente, Johnson ataca com uma voz metálica, batucando no violão, para voltar a tocá-lo normalmente, sem perder a agressividade da voz. Sem dúvida, uma de suas mais belas e intensas gravações.

Já a segunda é um caso à parte. Literalmente não há palavras para ela, Blind Willie apenas cantarola a música num gemido, acompanhando o violão tocado com slide. Trata-se também de um clássico do gospel e seu nome completo é “Dark was the night and cold was the ground on which our Lord was Laid” e Angeline cantou-a para Charters da forma que ela é cantada naquela região: solenemente. O que Johnson fez foi passar sua tristeza pela crucificação. É disparada a música mais bonita e emocionada (doida mesmo) de toda essa série e se tornou tão marcante, que foi uma das escolhidas para integrar a gravação enviada com a sonda Voyager ao espaço como representante de nossa cultura.

Só para destacar seu impacto no período, vale dizer que seu primeiro 78 rotações, “I know His blood can make me whole” / “Jesus make up my dying bed” teve uma tiragem de 9.400 exemplares e uma tiragem adicional de 6 mil exemplares. Só para vocês terem uma idéia, o mais recente de Bessie Smith, lançado 10 dias antes, teve uma tiragem inicial de 9.325 cópias e a adicional de 5 mil! Não é a toa que chegaram a fazer propaganda em jornais de Chicago. Mas a Depressão veio, as gravações pararam por aí, as vendas diminuíram muito e Johnson voltou a pregar e cantar junto às igrejas, morrendo de pneumonia em 1945.

Até hoje suas músicas são regravadas ou tocadas ao vivo por inúmeros artistas: Led Zeppelin, Nina Simone e Son House, como disse lá a trás, mas também Bob Dylan, Grateful Dead, Bruce Springsteen, Nick Cave, Beck, The White Stripes e por aí vai. Isso sem falar das trocentas versões de grupos de música religiosa, Estados Unidos a fora. Até no início da segunda temporada da série Terminator: the Sarah Connor Chronicles aparece uma música dele cantada por Shirley Manson, do Garbage.

E é isso (“é isso”? O cara escreve uma bagaça desse tamanho e ainda me fala “é isso”!?). Mais uma vez peço desculpas pela demora na atualização do blog e pelo tamanho do texto. Espero que gostem de mais este espetáculo.

Irmãos, oremos!


http://www.mediafire.com/?k3je9lfedgfih4r


http://www.mediafire.com/?zs0ywcpulr7pm31


Disco 1:

1 - I know His blood can make me whole

2 - Jesus make up my dying bed

3 - It's nobody's fault but mine

4 - Mother's children have a hard time

5 - Dark was the night - cold was the ground

6 - If I had may way I'd tear the building down

7 - I'm gonna run to the city of refuge

8 - Jesus is coming soon

9 - Lord I can't just keep from crying

10 - Keep your lamp trimmed and burning

11 - Let Your light shine on me

12 - God don't never change

13 - Bye and bye I'm goin' to see the King

14 - Sweeter as the years roll by


Disco 2:

1 - You'll need somebody on your bond

2 - When the war was on

3 - Praise God I'm satisfied

4 - Take your burden to the Lord and leave it there

5 - Take your stand

6 - God moves on the water

7 - Can't nobody hide from God

8 - If it had not been for Jesus

9 - Go to me with that land

10 - The rain don't fall on me

11 - Trouble will soon be over

12 - The soul of a man

13 - Everybody ought to treat a stranger right

14 - Church, I'm fully saved to-day

15 - John the Revelator

16 - You're gonna need somebody on your bond


by Guará

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Boom shaka-laka-laka, Boom shaka-laka-laka!!!

Pois é, galera, enrolamos, enrolamos (ou, melhor dizendo, enrolei, enrolei), mas cá estamos!

Hora de deixar de virar a cara pra bagunça e pôr ordem na casa. Vamos tirar o pó daqui pra essa toca voltar a ser um habitat sadio, onde esse felino que vos fala (ou escreve) e seu malíssimo amigo canídeo possam viver e curtir um som em paz!

Paz, aliás, que é a palavra de ordem do post de hoje!

Vamos falar de uma banda que foi genial, entre milhares de outros motivos, por ser pacifista (ao menos de início) e não entrar em brigas (sem contar as internas, é óbvio!), um ícone da cultura de sua época.

Estamos falando nada mais, nada menos do que de Sly & the Family Stone, uma das bandas crucias, canônicas, fundantes e fundamentais do Funk!

Como já disse, essa banda não é só importante e genial por questões musicais, mas também por questões culturais e históricas. Por quê? Bem, vamos do começo! Anos 60. Estados Unidos. Um apartheid implícito de um lado. Um liberalismo hipócrita do outro.

E num é que me aparece um neguinho mirrado e marrento no meio dessa confusão, imbuído de ideias luther-kinguianas e realiza em parte o sonho daquele pastor? Sim!

Sly & the Family Stone foi uma das primeiras, senão a primeira banda multiétnica dos Estados Unidos! E multiétnica à vera! Tendo desde de negros (óbvio! é black music, cacete!), passando por whiteys de ascendência inglesa e até ítalo-americanos no seu line-up! Todos juntos e em paz e harmonia (até que a heroína os separasse, ao menos). E, além disso, mesmo defendendo um ponto de vista na luta de afirmação étnica, mateve-se firme por muito tempo contra a tentação de se engajar nos movimentos negros norte-americanos, fortemente influenciados por Malcolm X (cara que representa pra caramba! ele é foda!), mas que, e é necessário que se diga, era basicamente um racismo invertido, uma mudança social baseada em rancor e vingança.

Mas não, no auge da psicodelia, onde tudo era multicolorido, resumir o mundo a uma oposição entre preto e branco era pouco para esta família! Os ideais de igualdade e harmonia falavam mais alto do que a afirmação do negro contra o branco! Por isso, mesmo quando tomou partido, engajou-se ao seu modo, com um dos mais fantásticos tapas na cara na sociedade da história da música, não perdendo a sua identidade frente às pressões sofridas pelo grupo advindas de movimentos como os panteras negras (sem referências aos presentes! hahahahahaha) e outros grupos do movimento black power: o Family Stone concedeu, mas não cedeu, pintando ainda mais o seu quadro, com preto, branco, vermelho e que mais cor pudesse querer participar! (mas, infelizmente... ou felizmente... não sei... isso já é assunto para outro post).

E é importante também se dizer que para mais além disso ia a parcela de revolução cultural em que a banda se engajava: ela cruzava também fronteiras mais tênues, percebidas por outras frentes da revolução cultural da época, mas ainda nem tão bem, digamos, trabalhadas. uma pequena revolução sexual.

Convenhamos que ambas estavam em pauta nos anos 60 e 70, mas assumidas ambas numa mesma, digamos, pauta, não era exatamente comum. Eram duas lutas separadas, duas frentes numa mesma guerra, mas com soldados diferentes, em geral. Mas o Family Stone foi diferente. No line-up da banda, como era de praxe na época, tinham homens e mulheres. Até aí, normal, mas, diferentemente do costumeiro, homens e mulheres com pesos iguais (tá bom, a Cynthia Robinson, com suas bochechas de trompetista devia pesar um pouco mais): todos tocavam e praticamente todos cantavam, quando o costume era homens tocam e mulheres fazem backing vocal. Mulher só tocava em carreira solo ou se fosse a chefa da banda, ou seja, era necessário o naipe de uma Big Mama Thornton, Nina Simone ou de outras grandes damas do soul. Mas ver uma Rose Stone ou uma Cynthia Robinson dividindo uma banda em pé de igualdade (mesmo nos vocais) com um ou Freddie, ou um Sly Stone ou um Larry Graham, sendo que justamente os backing vocals sobrassem para Jerry Martini e Greg Errico, convenhamos que, mesmo nos dias de hoje, é coisa pra lá de rara! É mais fácil achar uma Heineken ruim do que isso acontecer!

Mas agora falando do que realmente importa num blog de música (que eu acho que é a música, se eu não me engano), isso não basta para que um banda entre para a história da música.

O cara pode fazer a revolução cultural que for que, se ele não for um bom músico, a sua revolução só vai ser uma pequena pequena nota de rodapé na história do gênero ou do movimento em que o cara participou. E, quanto a isto, sim!, podemos afirmar que esta banda não entrou na história por acaso! os caras mandavam bem! Funk de primeira qualidade.

Como dá pra ouvir no álbum (que tá linkado aí embaixo, galera), o som é uma orgia para os ouvidos!

Começa com a música que dá título ao álbum, uma baladinha presença com uma letra linda, que fala de esperanças, defendendo a persistência, uma mensagem importante para aquela época! E é incrível como a letra ganha ainda mais força com o apoio de Little Sister (o conjunto que fazia backing vocal para a banda, formado por Vet Stone, Mary McCreary e Elva Mouton) no refrão, com um imperativo, uma ordem inescapável de permanecer diante de nossas próprias cruzes!

Após a primeira parte dessa orgia toda, segue-se a divertidíssima Don't Call Me Nigger, Whitey, com uma letra e uma música simples, que dizem muito com pouco. Com um título que parece que contraria toda a minha introdução sobre como ele não eram malcolmistas, esta música de apenas seis versos, descontrói essa impressão já no segundo, em que ele lança uma réplica a essa frase cantando "don´t call me whitey, nigger!" e nessa discussão conduzida por um único enunciador, vemos de novo aparecer a igualdade dos argumentos e o igual absurdo da afirmação de uma única etnia.

Após essa, vem o auge da parada! numa música que, com um ritmo bem marcado, em ascensão (tanto na letra, quanto na música), com uma alternância entre grave e agudo, culminando numa explosão de múltiplas vozes no refrão, e ainda por cima intitulada I Want to Take You Higher e em que ele fala "baby, you light my fire"... por favor, não venham me dizer que é só a minha mente pervertida que acha que é uma ótima fuck song, uma música pra dançar deitado!

E, só pra concluir, pois eu não quero falar sobre todo o álbum, pra, quem sabe, deixar algumas surpresas para vocês, caros leitores (ou ouvintes), no início do lado B desse álbum, encontramos uma das maiores pérolas da carreira da banda e um verdadeiro manifesto deles, em que resumem sua filosofia e apresentam com primor a sua musicalidade, sendo que a própria música assume tal condição para a banda, já que, logo no segundo verso Sly nos avisa ,dizendo: "my own beliefs are in my song", depois de, no primeiro verso, ter avisado que às vezes ele está errado. ou seja, uma verdade só deles e que não precisamos aceitar como nossa. A música é Everyday People, mas vou parando por aqui, enquanto vou botando o bolachão na pick-up, porque outros posts virão sobre essa banda, então não preciso falar tudo agora... principalmente sobre essa música! hahahaha

E um abraço pra quem fica

Salve, galera! curte aí nosso som e a nosso promessa de posts mais constantes!




(by Pantera)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Festa!

Para aqueles que estão em São Paulo, há ótimos motivos para comemorar. Não, eu não estou falando da chuva que voltou a cair depois de a humidade do ar bater em 10% na terra da garoa. Trata-se da edição deste ano da Bourbon Street Fest.

A festa, que já se tornou tradicional, começou em 2003, quando a casa paulistana completou 10 anos de existência, traz alguns nomes da cena atual de New Orleans, com apresentações ao ar livre (e de graça) e na própria casa (não tão "de graça" assim). Os shows começam dia 15/08 (sábado), no Parque do Ibirapuera e terminam dia 23/08, na rua dos Chanés, em frente ao bar (clube, vai). Durante a semana as apresentações são no Bourbon Street mesmo (sim, é aquele lugar que o Jô Soares fala bastante).

Hã... hoje, é dia 18!

Ok, é imperdoável não termos falado nada até agora. Me culpa, mea culpa! Mea maxima culpa! Tudo bem, vocês só perderam a apresentação gratuita no Ibirapuera (não estou melhorando muito). Mas todos irão tocar essa semana no Bourbon... menos a Dixie Square Jazz Band, que é ótima (estraguei tudo de vez).

Vale dizer uma coisa: o Bourbon Street não é conhecido por ser dos lugares mais baratos de São Paulo. Portanto, as apresentações na rua são uma ótima pedida. No próximo, domingo, serão Sunpie & The Sunspot, Big Sam's Funky Nation e Kurt Brunus Project, fechando com uma jam session. Confesso que não conheço muito sobre eles (mesmo álbuns para comprar ou músicas para baixar são difíceis de encontrar), mas o que escutei agradou muito esses ouvidos.

Outro show que gostaria muito de ver é o da Carol Fran, que toca amanhã (quarta) com Joe Krown, seguida pelo próprio Joe com seu trio e por Sunpie, terminando, também, com uma jam. Mas... leiam o que escrevi acima.

Por fim, mas não menos importante, tudo isso será acompanhado por pratos da culinária cajun, típica de New Orleans e algumas outras regiões da Louisiana (apesar de a Toca ser uma casa de música, um dia eu coloco uma receita cajun aqui. Afinal, a gente precisa comer alguma coisa).

Fica a dica, Bourbon Street Fest: música boa com comida boa. Nos vemos no domingo.

Site da festa:
http://www.bourbonstreetfest.com.br/


Site do Bourbon Street:
http://www.bourbonstreet.com.br/

by Guará

domingo, 16 de agosto de 2009

O brinde

"Guará, seu safado! Cadê o brinde que você prometeu?"

Calma, gente. O post ficou muito maior do que devia e eu resolvi fazer outro para o brinde, só isso.

O que é o brinde? Oras, mais Nina Simone, óbvio.

Como eu disse, sou viciado em Nina Simone. Consigo passar o dia ouvindo só músicas dela tranqüilamente (uma pequena nota: sou "das antigas", a reforma ortográfica ainda não chegou aos meus textos); em qualquer compraração com outras cantoras, Nina está na frente, não importa se vierem com Billie Holiday, Ella Fitzgerald ou Sarah Vaughan...

O que vou colocar para vocês agora é o álbum que me incutiu (sempre quis usar essa palavra) esse vício: uma coletânea, de 2007 (é um vício recente), chamada Mood Indigo, o nome de uma das mais famosas músicas da cantora, distribuida pela Charly Records, um selo britânico. Aqui estão algumas das mais famosas músicas da Dr.ª (caspita, por que toda hora doutora? Ué, ela era formada pela Julliard School of Music e costumava ser chamada assim): "Mood Indigo", "My Baby Just Cares for Me", "Four Women", "Mississippi Goddam", algumas estão no álbum que coloquei da outra vez... bom, é uma coletânea.

Estão presentes algumas outras coisas interessantes, como aquela versão ao vivo de "The House of the Rising Sun" que eu disse ser a que mais gosto, "Don't Let Me Be Misunderstood" (pensaram que era do Animals ou do Santa Esmeralda, hein?), "Ain't Got No / I Got Live", do musical "Hair" e "Ne me quitte pas", gravada em francês e com uma interpretação maravilhosa.

Antes de colocar o álbum, eu queria fazer um mea culpa: não achei a capa dele. Esse eu tenho só em mp3 mesmo e sai à caça da capa. Achei até a gravadora, mas nada de capa. É que essa é daquelas coletâneas fora de catálogo.

Bom, mea culpa feito, vamos ao álbum. Espero espalhar esse vício para alguns de vocês também e conquistar mais devotos da High Priestess of Soul... opa, outra forma como ela é conhecida.

http://sharebee.com/b333a31f



Músicas:
1 - My Baby Just Cares for Me
2 - I Loves You Porgy
3 - Mood Indigo
4 - Don't Smoke on the Bed
5 - Ne me quitte pas
6 - To Love Somebody
7 - The House of the Rising Sun
8 - Don't Let Me Be Misunderstood
9 - Ain't Got No/IGot Life
10 - To Be Young, Giftedand Black
11 - Backlash Blues
12 - Do What You Gotta Do
13 - Mississippi Goddam
14 - Four Women
15 - I Want a Little Suggar in My Bowl
16 - Cotton Eyed Joe
17 - Sunday in Savannah
18 - I Sing Just to Know I'm Alive

by Guará

sábado, 15 de agosto de 2009

Nina Simone Sings the Blues

Há alguns dias coloquei aqui na Toca o álbum Nina Simone Sings the Blues da... bem, da Nina Simone, oras! De quem seria? Mas algo deu errado. De alguma forma, o Blogspot chutou o post para escanteio. Eu e o Pantera tentamos todos esses dias reaver nosso post, mas nada deu certo e cá estou eu para refazê-lo. Fica aqui um pedido de desculpa dos dois mamíferos da Toca e, como presente pelo tempo de espera, vou colocar um brinde por aqui. Então, vamos lá!

Naquele post, "Esquentando os tambores" (que não só devem estar gelados, mas os músicos já pediram aposentadoria. Que demora!), eu comentei um pouco sobre os conflitos entre negros e brancos nos EUA, na década de 60 - calma, não vou falar muito sobre as lutas por direitos civis... por enquanto, isso será tema de uma futura coluna aqui na Toca. Tudo isso para dizer que estamos voltando um pouco no tempo em nossa viagem sonora. Se até agora passaram por aqui Baby Huey e Jackson 5, ambos da década de 60 e ligados às novas correntes musicais dos negros americanos (Soul, Funk), nós vamos agora estrear o Blues no nosso humilde estabelecimento.

Como eu havia dito, o Blues, que surge entre o fim do séc. XIX e o início do XX (acho que é uma boa hora para dizer que sou historiador e adoro fazer esse tipo de coisa. Vou me conter, prometo.), sofreu os mesmo tipo de preconceito e discriminação que a população na qual teve origem, tornando-se mais conhecido nos EUA somente na mesma década de 60, ironicamente, com as bandas inglesas que dominaram as rádios americanas. Por isso eu disse que quando brancos passaram a tocar Blues, parte da comunidade negra não achou das coisas mais legais.

"Certo, Guará, tudo bem. Onde você quer chegar com isso?" Calma, calma. Já chego lá.
O escolhido, então, como eu já disse no começo do post, foi Nina Simone Sings the Blues (adivinhem de quem). Com uma longa carreira (de 54 a 2003), a Dr.ª Simone passeou pelos mais diversos estilos musicais (Jazz, Blues, Soul, R&B, clássica), apresentando temas tradicionais do Blues, canções românticas, versões de spirituals, versões de temas teatrais, canções de protesto etc. etc. e etc., sempre com uma marca inconfundível: sua interpretação, que, aliada à voz, dá um tom triste a praticamente tudo que ela toca.

Opa! Olha só! Voltamos ao tema inicial: o protesto e o conflito. Já digo uma coisa: nosso álbum é de 67. Década de 60, lembram? Voltamos à ela também.

Talvez a música que marque a entrada de Nina Simone por essa trilha seja "Mississippi Goddam" (64), proibida nos estados do sul e tida como uma resposta a um atentado a uma igreja no Alabama. Outras viriam. Do mesmo álbum, Nina Simone in Concert, é "Old Jim Crow"; há ainda "To be Young, Gifted and Black" (70), uma versão de "Strange Fruit" (65), famosa na voz de Billie Holiday, Why? (The King of love is dead) (68), gravada três dias após a morte de Martin Luther King e tantas mais, denunciando a situação dos negros que sofriam com a Jim Crow, no sul, ou com o preconceito velado, no norte.

Viram? Rodei, rodei e cheguei. Agora vocês podem perguntar: "Poxa, mas a mulher cantou tantos estilos, sendo que o Blues não foi nem no qual ganhou fama. Por que não escolher um bluesman representativo, como Muddy Waters ou Howlin' Wolf?" A resposta é muito simples: eu quis este. Certo, existem motivos decentes.

Além de eu ser assumidamente viciado em Nina Simone, dois fatores pesaram. Em primeiro lugar, lembram quando eu disse que tudo que a Dr.ª Simone tocava parecia ficar incrivelmente triste? Pois bem, uma das melhores definições de Blues que já vi é, se não me engano (a memória falha, sabe como é...), de Son House, que dizia que o Blues não é nada além de um bom homem se sentindo mal. A tristeza que ela passa na música, está aí o primeiro motivo (minha namorada chega a dizer que é preciso coragem para ouvir a Nina).

Em segundo lugar, apesar de não ser o estilo com o qual ela ficou conhecida, Nina Simone Sings the Blues traz esses elementos que falei há pouco. Está tudo lá: a tradicional "The House of the Rising Sun", a sentimental "My Man's Gone Now", a versão de um spiritual em "Real Real", a ácida letra de protesto de "Backlash Blues" e, terminando esse fantástico álbum de Blues, "Whatever I Am", uma música de Willie Dixon, autor de, digamos, uma meia dúzia de canções importantes para 5 ou 6 gatos pingados

Chega de nhenhenhém! Eu aqui enrolando e um álbum desses para ser colocado aqui...

Criem coragem e confiram o absurdo que é este álbum de Nina Simone.




Musicas:
1 - Do I Move You?
2 - Day and Night
3 - In the dark
4 - Real Real
5 - My Man's Gone Now
6 - Blacklash Blues
7 - I Want a Little Sugar in My Bowl
8 - Buck
9 - Since I Fell You
10 - The House of the Rising Sun
11 - Blues for Mama
12 - Do I Move You? [segunda versão]
13 - Whatever I Am

by Guará