sexta-feira, 5 de agosto de 2011

É festa de novo!



Nada melhor que uma festa pra sair de um período de luto. Então, vamos lá.
Desta vez, quem está em Brasília é que terá ótimos motivos para comemorar. Já tradicional em São Paulo, a Bourbon Street Fest chega à 9º edição e ao Planalto Central, depois de já ter incluído o Rio de Janeiro em sua agenda.
A receita é a mesma que já faz sucesso desde o início do evento: boa música com artistas de New Orleans tocando blues, jazz, zydeco e quetais, e comida cajun.
Aqui as apresentações serão em dois dias. Começam hoje, com o sexteto de Delfeayo Marsalis (do clã Marsalis), seguido por Nathan and Zydeco Cha Chas e New Orleans Ladies of Soul, fechando a noite. Amanhã teremos Cynthia Girtley, John Mooney and Bluesiania e, encerrando o evento, a Dirty Dozen Brass Band.
Como sou uma pessoa com um nível de organização muito particular, só pude ir a uma das festas, a de 2009 (http://tocadosoul.blogspot.com/2009/08/festa.html), que me deixou viciado na Glen David Andrews Band e com saudades do som do Sunpie e da Big Sam’s Funky Nation.
Pra quem está em Brasília, a festa é hoje e amanhã; pra quem está na minha velha São Paulo, vocês ainda tem hoje e amanhã pra curtir no próprio Bourbon Street e, no domingo, na rua dos Chanés, de graça, em frente à casa; pra quem está no Rio... bom, foi só até o dia 03...
Nos encontramos lá...

Bourbon Street Fest Brasília
05 (20h) e 06 de agosto (18h) no Museu da República.

Site da Festa:

Site do Bourbon Street Music Club:



sexta-feira, 29 de julho de 2011

You know I'm no good


Mais uma vez temos luto na Toca: Amy Winehouse morreu.

A notícia correu o mundo no último sábado e, a não ser que você tenha estado em uma bolha nos últimos dias, já deve ter se deparado com meia dúzia de matérias especiais, programas, reprise de shows e pessoas abordando uma série de aspectos da vida dela em todas as mídias por aí (TV, internet, rádio, jornais...).

Exatamente por isso, hoje vou fazer algo um pouco diferente, não vou falar muito. Tantos já falaram da carreira e das fofocas sobre sua vida essa semana (e ainda vão falar muito), que, se eu fizesse meus costumeiros textos de sete páginas sobre isso, ficaria um pouquinho maçante. Hoje o Nelson Mota deve falar sobre ela em sua coluna e, com certeza, ele faz isso melhor que eu.

Ao invés disso, vou falar um pouco sobre minhas impressões sobre ela.

Confesso que demorei um pouco pra prestar atenção na moça. O fato de minha vizinha, com 15 anos na época, ouvir pode ter contribuído. Nada contra a idade, mas, havemos de convir, a geração emo-happyrock-crepúsculo não tem deixado uma impressão muito boa. Ok, Restart e a saga do vampiro light são bem mais recentes, mas, de qualquer forma, ver que todos que elogiavam a Amy nas conversas faziam o mesmo pela Beyoncé não ajudou nada.

Apesar de tudo, quebrei essa minha ranço, ouvi e gostei. Realmente, a judia inglesa com voz de negra do Harlem cantava muito. Além de cantar demais, ela tinha ótimas referências no Jazz e no Soul. Em alguns momentos, dava pra sentir alguma coisa de Nina Simone (http://tocadosoul.blogspot.com/2009/08/nina-simone-sings-blues.html) no jeito dela cantar.

Certo: voz fantástica, músicas ótimas, uma banda inacreditável... mas, uma boa parte das pessoas tinha os olhos voltados pra outra coisa. Nas apresentações desse ano aqui no Brasil, muitos foram esperando o momento em que ela iria tropeçar, esquecer alguma letra ou dar mostras de uma bebedeira homérica. Talvez seja o mesmo tipo de gente que pára pra ver acidente de trânsito, mas, enfim...

A neura é tão grande, que bastou ela morrer e já se levantaram os moralistas de plantão, ressaltando seus excessos, provável causa de sua morte aos 27 anos. A idade crítica para os astros junkies.

Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrisson. Todos morreram com 27 anos entre 1969 e 1971. Uma verdadeira maldição da letra J. Na mesma época, morriam, com 26 anos, Otis Reeding (1967) e Baby Huey (1970 - http://tocadosoul.blogspot.com/2009/06/baby-huey-story-living-legend.html). Também com 27 morreram Kurt Kobain (1994) e Robert Johnson (1938). Alguns deles, usuários de drogas e junkies inveterados, outros sofriam de depressão (não que os dois não possam andar juntos) e tem o Otis Reeding, que caiu de avião. O isso prova? Bom, além de que as pessoas podem morrer aos 26 ou 27, nada. Que pessoas com vida desregrada morrem cedo? Não necessariamente. B. B. King, que já deve ter experimentado de tudo um pouco está aí, com seus 85 e a Lucille a tiracolo. Pode até aumentar as chances, mas, pode ter certeza, se você tentar atravessar a rua Bela Cintra, no cruzamento com a Paulista, suas chances de morrer vão ser bem maiores. Essa coincidência de idades me fez dizer por muito tempo que os realmente bons morriam com 26 ou 27. Em maio eu completei 28...

A história da música é cheia de casos insólitos: Keith Richards cheirou até o pai e está por aí; Paul McCartney morreu e continua entre nós; e o representante brasileiro, o Serguei... bem, ele ainda é o Serguei.

Voltando à Amy. Chegaram a fazer uma matéria, onde diziam que ela não teria aproveitado seus 27 anos por causa das drogas e das bebidas. Será que a conheciam tão bem assim? Será que levar uma vida “sadia” é a única forma de aproveitá-la? Bom, se ela aproveitou ou não, só ela mesmo poderia responder. O que importa é que as atitudes dela trouxeram conseqüências diretas somente pra ela.

Talvez o problema dela não fosse sua opção de vida, mas a quantidade de lentes voltadas em sua direção à espera de um deslize, qualquer um. Isto somado à quantidade de gente que realmente se interessava pelas fofocas e não pela música dela, que, afinal, era uma cantora. Problemas da “era digital”, “era da informação” ou o nome que queiram dar? Talvez seja só o velho sadismo mesmo.

Enfim, o que eu quis dizer com tudo isso é que, independente de tudo que circulava e do que ela fazia (que, sinceramente, acho que era da conta dela), a mulher era uma cantora, e das boas. Sua banda de apoio é maravilhosa, gravou dois ótimos álbuns e deu uma bela sacudida no mercado da música, um pouco saturado de cantoras que mostram mais partes do corpo que voz, músicos que mostram mais dinheiro que qualidade musical, e por aí vai. Como disse o crítico Carlos Eduardo Miranda, em uma entrevista à rádio Estadão, a Amy trouxe a alma de volta à música pop.

Antes que eu me estenda ainda mais (e eu ainda disse que não falaria muito), cabem só dois destaques: 1) pra variar, esperamos a pessoa morrer pra escrever sobre ela. Já avisei o Pantera que, se ele quer escrever sobre a Joss Stone, é melhor ser rápido. 2) com a Amy, abrimos a cota pra brancos em nosso espaço para música negra.

Agora, chega de patifaria e vamos à música que é o que interessa.

http://www.mediafire.com/?28be47n8ycvv077


1- Rehab

2- You know I'm no good

3- Me and Mr. Jones

4- Just friends

5- Back to black

6- Love is a losing game

7- Tears dry on their own

8- Wake up alone

9- Some unholy war

10- He can only hold her

11- Addicted

12- Valerie

13- Cupid

14- Monkey man

15- To know him is to love him

16- Hey little rich girl

17- You're wondering now

18- Some unholy war

19- Love is a losing game


by Guará

quinta-feira, 17 de março de 2011

Let It shine on me, let It shine on me

Carnaval passou (assim como o Natal, a Páscoa, o Carnaval do ano passado...) e cá estamos nós de novo. E, de novo, depois de um intervalo bem maior de que o que queríamos. Demoramos tanto para reabrir, que deu até tempo de eu começar a tocar gaita (por algum motivo eu odeio esse cacófato...).

Pra quem não se lembra, aqui quem fala é o velho Guará, que toca este humilde estabelecimento com seu amigo Pantera.

Como tentativa de pedido de desculpas, hoje vou colocar um álbum especial e prometo, de novo, que vamos abrir o salão da Toca com mais freqüência. Então, vamos lá!

Quando pensamos no Blues, geralmente vem à nossa mente a imagem imponente de B. B. King e sua Lucille, a mitológica história de Robert Johnson ou os virtuosismos de Steve Ray Vaughan. Lembramos de algum clássico de Muddy Waters; vemos Eric Clapton, de olhos fechados, empunhando sua guitarra junto a um microfone; ou, simplesmente, vem de algum lugar aquela melodia tocada numa gaita cujo nome você não lembra. Daí já tiramos um probleminha: nesse balaio de lembranças, esquecemos uma das origens e tema recorrente no Blues: a religião.

Na verdade, não é só o Blues, a música americana é extremamente influenciada pela música religiosa. Todos os membros do velho Million Dollar Quartet (Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e Carl Perkins) tiveram suas carreiras marcadas por ela.

Mas o tema desse blog ainda é a música negra americana, certo? Vamos à ela (bom... da influência dessa música na geração de 1950 e no Rock a gente trata depois).

Desde Louis Armstrong tocando “When the Saints go Marchin’ in”, ainda na década de 1920, à Glen David Andrews Band (http://www.glendavidandrewsband.com/main.htm), hoje, presença certa nas noites de New Orleans, passando pelas influências ou menções presentes em Son House ou James Brown, sem esquecer, ainda, a presença de outras tradições religiosas, como o Voodoo, nas obras ou nas figuras de Muddy Waters ou Buddy Guy, a religião sempre esteve presente na criação musical, seja como objeto em torno do qual se dá essa construção, seja como elemento inspirador para as harmonias ou na elaboração das letras.

“Voodoo?!?”

Sim. Falei em “religião”, certo? Não vamos ficar limitados ao cristianismo. “Got my mojo working”, um dos maiores clássicos de Muddy Waters, é a história de um sujeito que apela para religião para conquistar uma mulher – e não consegue, é bom lembrar. O tal do mojo nada mais é que o um patuá, como os do candomblé.

Bom, isso aqui é um site sobre música, não vou ficar aqui falando sobre as diferenças e semelhanças entre o culto aos orixás no Brasil e o culto aos voduns nos EUA... o fato de eu não conseguir fazer isso direito não vem ao caso (pra não dizer que isso viraria um papo chato de historiadores e antropólogos).

Enfim, como já virou costume nos meus textos aqui, vamos voltar um pouco no tempo. E dessa vez voltaremos bastante: para o final da década de 20 e início da década de 30.

Os EUA viviam a crise gerada pelo colapso da Bolsa de Valores e, no Norte, os músicos de Jazz sentiam os efeitos com a diminuição do número de gravações, shows e no valor dos cachês. No Sul, o Blues continuava sendo tocado por músicos itinerantes, que carregavam suas gaitas, violões, banjos ou o que fosse, peregrinando entre acampamentos de madeireiras e portos, feiras e pequenos bares, prostíbulos e... igrejas.

É uma fase anterior ao surgimento dos grupos de músicos, aqui falamos de artistas solitários que cruzam as estradas em busca de um local para tocar sua música, arranjar um trocado e beber o seu Bourbon, ou seja, sobreviver. Algumas vezes andavam em pares ou pagavam alguém para fazer o acompanhamento. Eric Hobsbawm, em seu livro História Social do Jazz, fala em músicos “semi-mendicantes”. É a era de Robert Johnson, Son House, Sonny Boy Willianson (o primeiro) e tantos outros.

Cabe aqui destacar duas coisas: 1) é bom lembrar que cantoras de Blues, como Bessie Smith, já faziam sucesso nos estados do Norte nesse período, mas, assim como os demais artistas envolvidos na indústria da música profissional, foram afetadas pela crise. A carreira de Bessie, por exemplo, foi para o quiabo nessa época; 2) aqui falamos de um momento em que a música possuía algumas fronteiras muito mais definidas do que hoje – não que fronteiras e barreiras musicais não existam mais. A linha que definia o que é música religiosa e o que é música profana era muito bem delimitada, sendo inimaginável para este período algo como Ray Charles rogando seus “Hallelujahs” por aí ou cantando sobre romances e bebidas em ritmo de música de igreja. Músicos que tocavam em bares ou prostíbulos, o que era mais comum na falta de locais especializados em diversão musical no Sul, simplesmente não tocavam para as platéias religiosas, nos cultos ou em frente das igrejas. E o contrário também é verdade. Mahalia Jackson, por exemplo, um dos maiores nomes do gospel, recusava-se a tocar qualquer coisa além de seus louvores e em locais onde tocassem música profana, assim como Blind Lemon Jefferson e Charlie Patton, quando gravavam gospels, faziam com outros nomes. Eram dois mundos que não se misturavam.

Nesse período, entre estes músicos itinerantes, surgiram muitos que eram cegos: Blind Willie McTell, na Geórgia; Blind Lemon Jefferson, no Texas, assim como nossa atração de hoje: Blind Willie Johnson. Sim, quando Ray Charles começa a acariciar seu piano (eu falei piano), os músicos negros cegos já são um fenômeno antigo.

Muitos tentam explicar o surgimento desses músicos como uma necessidade de sobrevivência numa sociedade em que restava ao negro o trabalho braçal, e mesmo este também era vedado a esses homens, que então recorriam à sua arte como forma de sobreviver. Certo, apesar de extremamente romântico, pode até servir como explicação. De qualquer forma, apesar de não estarmos falando da região do Mississippi, no Texas o algodão também formava um mar branco ao redor dos povoados, estes povoados também se desenvolviam e os músicos andarilhos também saltavam de praça em praça em busca de público, ou seja, a música (sagrada ou profana) era um caminho possível.

Eis que chegamos no nosso amigo Blind Willie Johnson.

Nascido em 1897, Johnson começa a aprender violão aos 5 anos e aos 7 teria ficado cego quando sua madrasta jogou soda cáustica no seu rosto como vingança por um surra que levara do pai do garoto. Esta versão está no encarte deste álbum, The Complete Blind Willie Johnson, e foi contado por Angeline, esposa de Johnson, a Samuel Charters, autor do texto e de inúmeros livros sobre música. Aliás, muito do que eu estou contando aqui é baseado no texto dele.

Johnson perambulou pelo Texas, junto com seu pai ou sozinho, cantando músicas religiosas dentro ou fora das igrejas em troca de dinheiro até ser descoberto no final da década de 1920. Lembra o que falei sobre a separação entre estes “dois mundos da música”? Então, segundo Angeline, Blind Willie nem ao menos conhecia as letras dos Blues que tocavam por lá. E olha que há relatos de Blind Lemon Jefferson tocando à um quarteirão de distância. Beleza, pode ser exagero dela, mas só reforça esse distanciamento.

Em 5 exaustivas sessões – respectivamente, em Dallas (2), New Orleans (2) e Atlanta – foram gravadas, pela Columbia Records, 30 músicas entre 1927 e 1930, sendo que na última foram gravadas 10 músicas (!). Esse é todo o registro musical que nos ficou sobre Blind Willie Johnson. É, a Grande Depressão chegou no Sul também.

Seu repertório nas sessões era composto, obviamente, por gospels negros, mas, também, por alguns gospels brancos, como “Church, I’m fully saved to-day”, e 3 baladas, que apesar de não constarem do repertório gospel tradicional, narram acontecimentos envolvendo-os com uma grande carga religiosa: “Jesus is coming soon”, falando sobre a gripe espanhola de fins da década de 1910 (“... In the year of 19 and 18, God sent a / mighty desease. / It killed men many thousands, (on the) land and on the sea…”); “When war is on”, sobre a I Guerra Mundial (“… Well, President Wilson sitting on the throne, / Making laws for everyone. / Didn’t call the black man, / leave out the white…”); e “God moves the water”, sobre o naufrágio do Titanic (“Year of 19 hundred and 12, / April the 14th day, / Great Titanic still not berthed, / people (had to) run and pray…”).

As sessões foram gravadas como se ele estivesse tocando para seu público habitual: não há banda, somente um homem cantando e tocando violão, sendo acompanhado em algumas músicas por uma backing vocal (Willie B. Harris ou uma suposta cantora recrutada nas igrejas de New Orleans), cantando em resposta à pregação do pastor Johnson, como nos cultos. Ainda que muito do seu estilo vocal e ao violão lembre os Blues de seu tempo, em especial no Texas, Blind Willie tem características marcantes: o violão que ora lembra as músicas country texanas, ora abusa do slide em solos e no acompanhamento; a voz que ora é calma e mesmo doce cantando sobre Jesus e passagens da Bíblia, ora torna-se metálica e quase gutural.

Algumas passagens são memoráveis. “It’s nobody’s fault but mine”, regravada por Led Zeppelin e Nina Simone, e “Mother’s children have a hard time”, ambas na primeira sessão, tem ritmo e força assustadores. “If I had my way I’d tear the building down”, na segunda sessão, é linda. Vale destacar ainda “The soul of a man” e “John the Revelator”, ambas na última sessão. Esta última, regravada por Son House em uma versão que, sinceramentente, não sei dizer qual é melhor. Só uma nota: há relatos de que, ao tocar o refrão de “If I had...” (“If – my Lord, if I had my way, / Well, if I had, oh wicked ones, / If I had, oh Lord, / Tear this building down…”) nas ruas de New Orleans, um guarda teria interrompido Johnson, acusando-o de incitar a desordem (!).

Por ultimo, as minhas duas preferidas: sua versão para a clássica “Let Your light shine on me” e a belíssima “Dark was the night – cold was the ground”. A primeira começa com Blind Willie cantando os versos de forma suave e triste. Parece até o ritmo de uma procissão: arrastada, triste e bela. O ritmo vai acelerando e, de repente, Johnson ataca com uma voz metálica, batucando no violão, para voltar a tocá-lo normalmente, sem perder a agressividade da voz. Sem dúvida, uma de suas mais belas e intensas gravações.

Já a segunda é um caso à parte. Literalmente não há palavras para ela, Blind Willie apenas cantarola a música num gemido, acompanhando o violão tocado com slide. Trata-se também de um clássico do gospel e seu nome completo é “Dark was the night and cold was the ground on which our Lord was Laid” e Angeline cantou-a para Charters da forma que ela é cantada naquela região: solenemente. O que Johnson fez foi passar sua tristeza pela crucificação. É disparada a música mais bonita e emocionada (doida mesmo) de toda essa série e se tornou tão marcante, que foi uma das escolhidas para integrar a gravação enviada com a sonda Voyager ao espaço como representante de nossa cultura.

Só para destacar seu impacto no período, vale dizer que seu primeiro 78 rotações, “I know His blood can make me whole” / “Jesus make up my dying bed” teve uma tiragem de 9.400 exemplares e uma tiragem adicional de 6 mil exemplares. Só para vocês terem uma idéia, o mais recente de Bessie Smith, lançado 10 dias antes, teve uma tiragem inicial de 9.325 cópias e a adicional de 5 mil! Não é a toa que chegaram a fazer propaganda em jornais de Chicago. Mas a Depressão veio, as gravações pararam por aí, as vendas diminuíram muito e Johnson voltou a pregar e cantar junto às igrejas, morrendo de pneumonia em 1945.

Até hoje suas músicas são regravadas ou tocadas ao vivo por inúmeros artistas: Led Zeppelin, Nina Simone e Son House, como disse lá a trás, mas também Bob Dylan, Grateful Dead, Bruce Springsteen, Nick Cave, Beck, The White Stripes e por aí vai. Isso sem falar das trocentas versões de grupos de música religiosa, Estados Unidos a fora. Até no início da segunda temporada da série Terminator: the Sarah Connor Chronicles aparece uma música dele cantada por Shirley Manson, do Garbage.

E é isso (“é isso”? O cara escreve uma bagaça desse tamanho e ainda me fala “é isso”!?). Mais uma vez peço desculpas pela demora na atualização do blog e pelo tamanho do texto. Espero que gostem de mais este espetáculo.

Irmãos, oremos!


http://www.mediafire.com/?k3je9lfedgfih4r


http://www.mediafire.com/?zs0ywcpulr7pm31


Disco 1:

1 - I know His blood can make me whole

2 - Jesus make up my dying bed

3 - It's nobody's fault but mine

4 - Mother's children have a hard time

5 - Dark was the night - cold was the ground

6 - If I had may way I'd tear the building down

7 - I'm gonna run to the city of refuge

8 - Jesus is coming soon

9 - Lord I can't just keep from crying

10 - Keep your lamp trimmed and burning

11 - Let Your light shine on me

12 - God don't never change

13 - Bye and bye I'm goin' to see the King

14 - Sweeter as the years roll by


Disco 2:

1 - You'll need somebody on your bond

2 - When the war was on

3 - Praise God I'm satisfied

4 - Take your burden to the Lord and leave it there

5 - Take your stand

6 - God moves on the water

7 - Can't nobody hide from God

8 - If it had not been for Jesus

9 - Go to me with that land

10 - The rain don't fall on me

11 - Trouble will soon be over

12 - The soul of a man

13 - Everybody ought to treat a stranger right

14 - Church, I'm fully saved to-day

15 - John the Revelator

16 - You're gonna need somebody on your bond


by Guará