terça-feira, 18 de agosto de 2009

Festa!

Para aqueles que estão em São Paulo, há ótimos motivos para comemorar. Não, eu não estou falando da chuva que voltou a cair depois de a humidade do ar bater em 10% na terra da garoa. Trata-se da edição deste ano da Bourbon Street Fest.

A festa, que já se tornou tradicional, começou em 2003, quando a casa paulistana completou 10 anos de existência, traz alguns nomes da cena atual de New Orleans, com apresentações ao ar livre (e de graça) e na própria casa (não tão "de graça" assim). Os shows começam dia 15/08 (sábado), no Parque do Ibirapuera e terminam dia 23/08, na rua dos Chanés, em frente ao bar (clube, vai). Durante a semana as apresentações são no Bourbon Street mesmo (sim, é aquele lugar que o Jô Soares fala bastante).

Hã... hoje, é dia 18!

Ok, é imperdoável não termos falado nada até agora. Me culpa, mea culpa! Mea maxima culpa! Tudo bem, vocês só perderam a apresentação gratuita no Ibirapuera (não estou melhorando muito). Mas todos irão tocar essa semana no Bourbon... menos a Dixie Square Jazz Band, que é ótima (estraguei tudo de vez).

Vale dizer uma coisa: o Bourbon Street não é conhecido por ser dos lugares mais baratos de São Paulo. Portanto, as apresentações na rua são uma ótima pedida. No próximo, domingo, serão Sunpie & The Sunspot, Big Sam's Funky Nation e Kurt Brunus Project, fechando com uma jam session. Confesso que não conheço muito sobre eles (mesmo álbuns para comprar ou músicas para baixar são difíceis de encontrar), mas o que escutei agradou muito esses ouvidos.

Outro show que gostaria muito de ver é o da Carol Fran, que toca amanhã (quarta) com Joe Krown, seguida pelo próprio Joe com seu trio e por Sunpie, terminando, também, com uma jam. Mas... leiam o que escrevi acima.

Por fim, mas não menos importante, tudo isso será acompanhado por pratos da culinária cajun, típica de New Orleans e algumas outras regiões da Louisiana (apesar de a Toca ser uma casa de música, um dia eu coloco uma receita cajun aqui. Afinal, a gente precisa comer alguma coisa).

Fica a dica, Bourbon Street Fest: música boa com comida boa. Nos vemos no domingo.

Site da festa:
http://www.bourbonstreetfest.com.br/


Site do Bourbon Street:
http://www.bourbonstreet.com.br/

by Guará

domingo, 16 de agosto de 2009

O brinde

"Guará, seu safado! Cadê o brinde que você prometeu?"

Calma, gente. O post ficou muito maior do que devia e eu resolvi fazer outro para o brinde, só isso.

O que é o brinde? Oras, mais Nina Simone, óbvio.

Como eu disse, sou viciado em Nina Simone. Consigo passar o dia ouvindo só músicas dela tranqüilamente (uma pequena nota: sou "das antigas", a reforma ortográfica ainda não chegou aos meus textos); em qualquer compraração com outras cantoras, Nina está na frente, não importa se vierem com Billie Holiday, Ella Fitzgerald ou Sarah Vaughan...

O que vou colocar para vocês agora é o álbum que me incutiu (sempre quis usar essa palavra) esse vício: uma coletânea, de 2007 (é um vício recente), chamada Mood Indigo, o nome de uma das mais famosas músicas da cantora, distribuida pela Charly Records, um selo britânico. Aqui estão algumas das mais famosas músicas da Dr.ª (caspita, por que toda hora doutora? Ué, ela era formada pela Julliard School of Music e costumava ser chamada assim): "Mood Indigo", "My Baby Just Cares for Me", "Four Women", "Mississippi Goddam", algumas estão no álbum que coloquei da outra vez... bom, é uma coletânea.

Estão presentes algumas outras coisas interessantes, como aquela versão ao vivo de "The House of the Rising Sun" que eu disse ser a que mais gosto, "Don't Let Me Be Misunderstood" (pensaram que era do Animals ou do Santa Esmeralda, hein?), "Ain't Got No / I Got Live", do musical "Hair" e "Ne me quitte pas", gravada em francês e com uma interpretação maravilhosa.

Antes de colocar o álbum, eu queria fazer um mea culpa: não achei a capa dele. Esse eu tenho só em mp3 mesmo e sai à caça da capa. Achei até a gravadora, mas nada de capa. É que essa é daquelas coletâneas fora de catálogo.

Bom, mea culpa feito, vamos ao álbum. Espero espalhar esse vício para alguns de vocês também e conquistar mais devotos da High Priestess of Soul... opa, outra forma como ela é conhecida.

http://sharebee.com/b333a31f



Músicas:
1 - My Baby Just Cares for Me
2 - I Loves You Porgy
3 - Mood Indigo
4 - Don't Smoke on the Bed
5 - Ne me quitte pas
6 - To Love Somebody
7 - The House of the Rising Sun
8 - Don't Let Me Be Misunderstood
9 - Ain't Got No/IGot Life
10 - To Be Young, Giftedand Black
11 - Backlash Blues
12 - Do What You Gotta Do
13 - Mississippi Goddam
14 - Four Women
15 - I Want a Little Suggar in My Bowl
16 - Cotton Eyed Joe
17 - Sunday in Savannah
18 - I Sing Just to Know I'm Alive

by Guará

sábado, 15 de agosto de 2009

Nina Simone Sings the Blues

Há alguns dias coloquei aqui na Toca o álbum Nina Simone Sings the Blues da... bem, da Nina Simone, oras! De quem seria? Mas algo deu errado. De alguma forma, o Blogspot chutou o post para escanteio. Eu e o Pantera tentamos todos esses dias reaver nosso post, mas nada deu certo e cá estou eu para refazê-lo. Fica aqui um pedido de desculpa dos dois mamíferos da Toca e, como presente pelo tempo de espera, vou colocar um brinde por aqui. Então, vamos lá!

Naquele post, "Esquentando os tambores" (que não só devem estar gelados, mas os músicos já pediram aposentadoria. Que demora!), eu comentei um pouco sobre os conflitos entre negros e brancos nos EUA, na década de 60 - calma, não vou falar muito sobre as lutas por direitos civis... por enquanto, isso será tema de uma futura coluna aqui na Toca. Tudo isso para dizer que estamos voltando um pouco no tempo em nossa viagem sonora. Se até agora passaram por aqui Baby Huey e Jackson 5, ambos da década de 60 e ligados às novas correntes musicais dos negros americanos (Soul, Funk), nós vamos agora estrear o Blues no nosso humilde estabelecimento.

Como eu havia dito, o Blues, que surge entre o fim do séc. XIX e o início do XX (acho que é uma boa hora para dizer que sou historiador e adoro fazer esse tipo de coisa. Vou me conter, prometo.), sofreu os mesmo tipo de preconceito e discriminação que a população na qual teve origem, tornando-se mais conhecido nos EUA somente na mesma década de 60, ironicamente, com as bandas inglesas que dominaram as rádios americanas. Por isso eu disse que quando brancos passaram a tocar Blues, parte da comunidade negra não achou das coisas mais legais.

"Certo, Guará, tudo bem. Onde você quer chegar com isso?" Calma, calma. Já chego lá.
O escolhido, então, como eu já disse no começo do post, foi Nina Simone Sings the Blues (adivinhem de quem). Com uma longa carreira (de 54 a 2003), a Dr.ª Simone passeou pelos mais diversos estilos musicais (Jazz, Blues, Soul, R&B, clássica), apresentando temas tradicionais do Blues, canções românticas, versões de spirituals, versões de temas teatrais, canções de protesto etc. etc. e etc., sempre com uma marca inconfundível: sua interpretação, que, aliada à voz, dá um tom triste a praticamente tudo que ela toca.

Opa! Olha só! Voltamos ao tema inicial: o protesto e o conflito. Já digo uma coisa: nosso álbum é de 67. Década de 60, lembram? Voltamos à ela também.

Talvez a música que marque a entrada de Nina Simone por essa trilha seja "Mississippi Goddam" (64), proibida nos estados do sul e tida como uma resposta a um atentado a uma igreja no Alabama. Outras viriam. Do mesmo álbum, Nina Simone in Concert, é "Old Jim Crow"; há ainda "To be Young, Gifted and Black" (70), uma versão de "Strange Fruit" (65), famosa na voz de Billie Holiday, Why? (The King of love is dead) (68), gravada três dias após a morte de Martin Luther King e tantas mais, denunciando a situação dos negros que sofriam com a Jim Crow, no sul, ou com o preconceito velado, no norte.

Viram? Rodei, rodei e cheguei. Agora vocês podem perguntar: "Poxa, mas a mulher cantou tantos estilos, sendo que o Blues não foi nem no qual ganhou fama. Por que não escolher um bluesman representativo, como Muddy Waters ou Howlin' Wolf?" A resposta é muito simples: eu quis este. Certo, existem motivos decentes.

Além de eu ser assumidamente viciado em Nina Simone, dois fatores pesaram. Em primeiro lugar, lembram quando eu disse que tudo que a Dr.ª Simone tocava parecia ficar incrivelmente triste? Pois bem, uma das melhores definições de Blues que já vi é, se não me engano (a memória falha, sabe como é...), de Son House, que dizia que o Blues não é nada além de um bom homem se sentindo mal. A tristeza que ela passa na música, está aí o primeiro motivo (minha namorada chega a dizer que é preciso coragem para ouvir a Nina).

Em segundo lugar, apesar de não ser o estilo com o qual ela ficou conhecida, Nina Simone Sings the Blues traz esses elementos que falei há pouco. Está tudo lá: a tradicional "The House of the Rising Sun", a sentimental "My Man's Gone Now", a versão de um spiritual em "Real Real", a ácida letra de protesto de "Backlash Blues" e, terminando esse fantástico álbum de Blues, "Whatever I Am", uma música de Willie Dixon, autor de, digamos, uma meia dúzia de canções importantes para 5 ou 6 gatos pingados

Chega de nhenhenhém! Eu aqui enrolando e um álbum desses para ser colocado aqui...

Criem coragem e confiram o absurdo que é este álbum de Nina Simone.




Musicas:
1 - Do I Move You?
2 - Day and Night
3 - In the dark
4 - Real Real
5 - My Man's Gone Now
6 - Blacklash Blues
7 - I Want a Little Sugar in My Bowl
8 - Buck
9 - Since I Fell You
10 - The House of the Rising Sun
11 - Blues for Mama
12 - Do I Move You? [segunda versão]
13 - Whatever I Am

by Guará