
Mais uma vez temos luto na Toca: Amy Winehouse morreu.
A notícia correu o mundo no último sábado e, a não ser que você tenha estado em uma bolha nos últimos dias, já deve ter se deparado com meia dúzia de matérias especiais, programas, reprise de shows e pessoas abordando uma série de aspectos da vida dela em todas as mídias por aí (TV, internet, rádio, jornais...).
Exatamente por isso, hoje vou fazer algo um pouco diferente, não vou falar muito. Tantos já falaram da carreira e das fofocas sobre sua vida essa semana (e ainda vão falar muito), que, se eu fizesse meus costumeiros textos de sete páginas sobre isso, ficaria um pouquinho maçante. Hoje o Nelson Mota deve falar sobre ela em sua coluna e, com certeza, ele faz isso melhor que eu.
Ao invés disso, vou falar um pouco sobre minhas impressões sobre ela.
Confesso que demorei um pouco pra prestar atenção na moça. O fato de minha vizinha, com 15 anos na época, ouvir pode ter contribuído. Nada contra a idade, mas, havemos de convir, a geração emo-happyrock-crepúsculo não tem deixado uma impressão muito boa. Ok, Restart e a saga do vampiro light são bem mais recentes, mas, de qualquer forma, ver que todos que elogiavam a Amy nas conversas faziam o mesmo pela Beyoncé não ajudou nada.
Apesar de tudo, quebrei essa minha ranço, ouvi e gostei. Realmente, a judia inglesa com voz de negra do Harlem cantava muito. Além de cantar demais, ela tinha ótimas referências no Jazz e no Soul. Em alguns momentos, dava pra sentir alguma coisa de Nina Simone (http://tocadosoul.blogspot.com/2009/08/nina-simone-sings-blues.html) no jeito dela cantar.
Certo: voz fantástica, músicas ótimas, uma banda inacreditável... mas, uma boa parte das pessoas tinha os olhos voltados pra outra coisa. Nas apresentações desse ano aqui no Brasil, muitos foram esperando o momento em que ela iria tropeçar, esquecer alguma letra ou dar mostras de uma bebedeira homérica. Talvez seja o mesmo tipo de gente que pára pra ver acidente de trânsito, mas, enfim...
A neura é tão grande, que bastou ela morrer e já se levantaram os moralistas de plantão, ressaltando seus excessos, provável causa de sua morte aos 27 anos. A idade crítica para os astros junkies.
Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrisson. Todos morreram com 27 anos entre 1969 e 1971. Uma verdadeira maldição da letra J. Na mesma época, morriam, com 26 anos, Otis Reeding (1967) e Baby Huey (1970 - http://tocadosoul.blogspot.com/2009/06/baby-huey-story-living-legend.html). Também com 27 morreram Kurt Kobain (1994) e Robert Johnson (1938). Alguns deles, usuários de drogas e junkies inveterados, outros sofriam de depressão (não que os dois não possam andar juntos) e tem o Otis Reeding, que caiu de avião. O isso prova? Bom, além de que as pessoas podem morrer aos 26 ou 27, nada. Que pessoas com vida desregrada morrem cedo? Não necessariamente. B. B. King, que já deve ter experimentado de tudo um pouco está aí, com seus 85 e a Lucille a tiracolo. Pode até aumentar as chances, mas, pode ter certeza, se você tentar atravessar a rua Bela Cintra, no cruzamento com a Paulista, suas chances de morrer vão ser bem maiores. Essa coincidência de idades me fez dizer por muito tempo que os realmente bons morriam com 26 ou 27. Em maio eu completei 28...
A história da música é cheia de casos insólitos: Keith Richards cheirou até o pai e está por aí; Paul McCartney morreu e continua entre nós; e o representante brasileiro, o Serguei... bem, ele ainda é o Serguei.
Voltando à Amy. Chegaram a fazer uma matéria, onde diziam que ela não teria aproveitado seus 27 anos por causa das drogas e das bebidas. Será que a conheciam tão bem assim? Será que levar uma vida “sadia” é a única forma de aproveitá-la? Bom, se ela aproveitou ou não, só ela mesmo poderia responder. O que importa é que as atitudes dela trouxeram conseqüências diretas somente pra ela.
Talvez o problema dela não fosse sua opção de vida, mas a quantidade de lentes voltadas em sua direção à espera de um deslize, qualquer um. Isto somado à quantidade de gente que realmente se interessava pelas fofocas e não pela música dela, que, afinal, era uma cantora. Problemas da “era digital”, “era da informação” ou o nome que queiram dar? Talvez seja só o velho sadismo mesmo.
Enfim, o que eu quis dizer com tudo isso é que, independente de tudo que circulava e do que ela fazia (que, sinceramente, acho que era da conta dela), a mulher era uma cantora, e das boas. Sua banda de apoio é maravilhosa, gravou dois ótimos álbuns e deu uma bela sacudida no mercado da música, um pouco saturado de cantoras que mostram mais partes do corpo que voz, músicos que mostram mais dinheiro que qualidade musical, e por aí vai. Como disse o crítico Carlos Eduardo Miranda, em uma entrevista à rádio Estadão, a Amy trouxe a alma de volta à música pop.
Antes que eu me estenda ainda mais (e eu ainda disse que não falaria muito), cabem só dois destaques: 1) pra variar, esperamos a pessoa morrer pra escrever sobre ela. Já avisei o Pantera que, se ele quer escrever sobre a Joss Stone, é melhor ser rápido. 2) com a Amy, abrimos a cota pra brancos em nosso espaço para música negra.
Agora, chega de patifaria e vamos à música que é o que interessa.
http://www.mediafire.com/?28be47n8ycvv077

1- Rehab
2- You know I'm no good
3- Me and Mr. Jones
4- Just friends
5- Back to black
6- Love is a losing game
7- Tears dry on their own
8- Wake up alone
9- Some unholy war
10- He can only hold her
11- Addicted
12- Valerie
13- Cupid
14- Monkey man
15- To know him is to love him
16- Hey little rich girl
17- You're wondering now
18- Some unholy war
19- Love is a losing game
by Guará