Há alguns dias coloquei aqui na Toca o álbum Nina Simone Sings the Blues da... bem, da Nina Simone, oras! De quem seria? Mas algo deu errado. De alguma forma, o Blogspot chutou o post para escanteio. Eu e o Pantera tentamos todos esses dias reaver nosso post, mas nada deu certo e cá estou eu para refazê-lo. Fica aqui um pedido de desculpa dos dois mamíferos da Toca e, como presente pelo tempo de espera, vou colocar um brinde por aqui. Então, vamos lá!
Naquele post, "Esquentando os tambores" (que não só devem estar gelados, mas os músicos já pediram aposentadoria. Que demora!), eu comentei um pouco sobre os conflitos entre negros e brancos nos EUA, na década de 60 - calma, não vou falar muito sobre as lutas por direitos civis... por enquanto, isso será tema de uma futura coluna aqui na Toca. Tudo isso para dizer que estamos voltando um pouco no tempo em nossa viagem sonora. Se até agora passaram por aqui Baby Huey e Jackson 5, ambos da década de 60 e ligados às novas correntes musicais dos negros americanos (Soul, Funk), nós vamos agora estrear o Blues no nosso humilde estabelecimento.
Como eu havia dito, o Blues, que surge entre o fim do séc. XIX e o início do XX (acho que é uma boa hora para dizer que sou historiador e adoro fazer esse tipo de coisa. Vou me conter, prometo.), sofreu os mesmo tipo de preconceito e discriminação que a população na qual teve origem, tornando-se mais conhecido nos EUA somente na mesma década de 60, ironicamente, com as bandas inglesas que dominaram as rádios americanas. Por isso eu disse que quando brancos passaram a tocar Blues, parte da comunidade negra não achou das coisas mais legais.
"Certo, Guará, tudo bem. Onde você quer chegar com isso?" Calma, calma. Já chego lá.
O escolhido, então, como eu já disse no começo do post, foi Nina Simone Sings the Blues (adivinhem de quem). Com uma longa carreira (de 54 a 2003), a Dr.ª Simone passeou pelos mais diversos estilos musicais (Jazz, Blues, Soul, R&B, clássica), apresentando temas tradicionais do Blues, canções românticas, versões de spirituals, versões de temas teatrais, canções de protesto etc. etc. e etc., sempre com uma marca inconfundível: sua interpretação, que, aliada à voz, dá um tom triste a praticamente tudo que ela toca.
Opa! Olha só! Voltamos ao tema inicial: o protesto e o conflito. Já digo uma coisa: nosso álbum é de 67. Década de 60, lembram? Voltamos à ela também.
Talvez a música que marque a entrada de Nina Simone por essa trilha seja "Mississippi Goddam" (64), proibida nos estados do sul e tida como uma resposta a um atentado a uma igreja no Alabama. Outras viriam. Do mesmo álbum, Nina Simone in Concert, é "Old Jim Crow"; há ainda "To be Young, Gifted and Black" (70), uma versão de "Strange Fruit" (65), famosa na voz de Billie Holiday, Why? (The King of love is dead) (68), gravada três dias após a morte de Martin Luther King e tantas mais, denunciando a situação dos negros que sofriam com a Jim Crow, no sul, ou com o preconceito velado, no norte.
Viram? Rodei, rodei e cheguei. Agora vocês podem perguntar: "Poxa, mas a mulher cantou tantos estilos, sendo que o Blues não foi nem no qual ganhou fama. Por que não escolher um bluesman representativo, como Muddy Waters ou Howlin' Wolf?" A resposta é muito simples: eu quis este. Certo, existem motivos decentes.
Além de eu ser assumidamente viciado em Nina Simone, dois fatores pesaram. Em primeiro lugar, lembram quando eu disse que tudo que a Dr.ª Simone tocava parecia ficar incrivelmente triste? Pois bem, uma das melhores definições de Blues que já vi é, se não me engano (a memória falha, sabe como é...), de Son House, que dizia que o Blues não é nada além de um bom homem se sentindo mal. A tristeza que ela passa na música, está aí o primeiro motivo (minha namorada chega a dizer que é preciso coragem para ouvir a Nina).
Em segundo lugar, apesar de não ser o estilo com o qual ela ficou conhecida, Nina Simone Sings the Blues traz esses elementos que falei há pouco. Está tudo lá: a tradicional "The House of the Rising Sun", a sentimental "My Man's Gone Now", a versão de um spiritual em "Real Real", a ácida letra de protesto de "Backlash Blues" e, terminando esse fantástico álbum de Blues, "Whatever I Am", uma música de Willie Dixon, autor de, digamos, uma meia dúzia de canções importantes para 5 ou 6 gatos pingados
Opa! Olha só! Voltamos ao tema inicial: o protesto e o conflito. Já digo uma coisa: nosso álbum é de 67. Década de 60, lembram? Voltamos à ela também.
Talvez a música que marque a entrada de Nina Simone por essa trilha seja "Mississippi Goddam" (64), proibida nos estados do sul e tida como uma resposta a um atentado a uma igreja no Alabama. Outras viriam. Do mesmo álbum, Nina Simone in Concert, é "Old Jim Crow"; há ainda "To be Young, Gifted and Black" (70), uma versão de "Strange Fruit" (65), famosa na voz de Billie Holiday, Why? (The King of love is dead) (68), gravada três dias após a morte de Martin Luther King e tantas mais, denunciando a situação dos negros que sofriam com a Jim Crow, no sul, ou com o preconceito velado, no norte.
Viram? Rodei, rodei e cheguei. Agora vocês podem perguntar: "Poxa, mas a mulher cantou tantos estilos, sendo que o Blues não foi nem no qual ganhou fama. Por que não escolher um bluesman representativo, como Muddy Waters ou Howlin' Wolf?" A resposta é muito simples: eu quis este. Certo, existem motivos decentes.
Além de eu ser assumidamente viciado em Nina Simone, dois fatores pesaram. Em primeiro lugar, lembram quando eu disse que tudo que a Dr.ª Simone tocava parecia ficar incrivelmente triste? Pois bem, uma das melhores definições de Blues que já vi é, se não me engano (a memória falha, sabe como é...), de Son House, que dizia que o Blues não é nada além de um bom homem se sentindo mal. A tristeza que ela passa na música, está aí o primeiro motivo (minha namorada chega a dizer que é preciso coragem para ouvir a Nina).
Em segundo lugar, apesar de não ser o estilo com o qual ela ficou conhecida, Nina Simone Sings the Blues traz esses elementos que falei há pouco. Está tudo lá: a tradicional "The House of the Rising Sun", a sentimental "My Man's Gone Now", a versão de um spiritual em "Real Real", a ácida letra de protesto de "Backlash Blues" e, terminando esse fantástico álbum de Blues, "Whatever I Am", uma música de Willie Dixon, autor de, digamos, uma meia dúzia de canções importantes para 5 ou 6 gatos pingados
Chega de nhenhenhém! Eu aqui enrolando e um álbum desses para ser colocado aqui...
Criem coragem e confiram o absurdo que é este álbum de Nina Simone.

Musicas:
1 - Do I Move You?
2 - Day and Night
3 - In the dark
4 - Real Real
5 - My Man's Gone Now
6 - Blacklash Blues
7 - I Want a Little Sugar in My Bowl
8 - Buck
9 - Since I Fell You
10 - The House of the Rising Sun
11 - Blues for Mama
12 - Do I Move You? [segunda versão]
13 - Whatever I Am
by Guará
demais
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